Dele se diz ser o poeta que mais influenciou a poesia espanhola contemporânea.
Jaime Gil de Biedma nasceu em Barcelona em 1929, cursou Direito, foi assistente
de História do Direito. Publicou em 1952 o primeiro livro de poemas (e preferiu
esquecê-lo quando posteriormente reuniu os poemas) e em 1953 o segundo. Em
1955 começou a trabalhar na Compañia General de Tabacos de Filipinas, o que
o levou a muitas e prolongadas estadas em Manila. Mas sobre isso – e em particular
sobre o período de Janeiro a Maio de 1956 – deixou-nos este livro, Retrato
do artista em 1956, publicado só depois da sua morte (1990).
Gil de Biedma tinha razão ao confessar [...] que era um ‘poeta
lento’, e esta característica significa insatisfação, procura de
um acento pessoal, um conceito de poesia que não é o da inspiração
[...], conhecimento da necessidade e importância do ‘ofício’, preocupação
com a métrica que o leva a não acreditar na facilidade aparente do
verso livre [...], desejo de fundir a tradição com descobertas de
minucioso labor [...]
José Bento, ‘Prólogo’
Nasci em Barcelona
em 1929 e aqui tenho residido quase sempre. Passei os três anos da
guerra civil em Nava de la Asunción, uma pequena vila da província
de Segóvia [...]. A alternação entre a Catalunha e Castela, isto é,
entre a cidade e o campo – ou, para ser mais exacto, entre a vida
burguesa e la vie de château –, foi um factor importante
na formação da minha mitologia pessoal. Estudei Direito
em Barcelona e Salamanca [...]. O meu emprego levou-me a viver longas
temporadas em Manila, cidade que adoro, e que me parece menos exótica
que Sevilha, porque a compreendo melhor. Fiquei calvo em 1962; esta
perda incomoda-me, mas não me obceca – dizem que tenho uma linha
de cabeça excelente. Ganho bastante dinheiro. Não poupo. Fui da esquerda
e é muito provável que continue a sê-lo, mas há algum tempo que não
pratico.
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