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Adélia Prado, «pronta para carregar a bandeira do anjo pleno, da guarda,
da mais alta poesia brasileria» (in: "Cadernos de Literatura Brasileira",
número
dedicado à poeta), nasce em 1935, em Divinópolis, numa família humilde.
Conclui o curso de Magistério em 1953, começando a leccionar, dois anos mais
tarde, numa escola estadual. Em 1958 casa-se com José de Freitas,
funcionário do Banco do Brasil (e companheiro para toda a vida), com quem
ingressará, já em 1965, no curso de Filosofia da Faculdade de Divinópolis
(«entrei para escovar o pensamento», diria mais tarde), licenciando-se
em 1973.
Católica fervorosa, mãe de cinco filhos, dona-de-casa, Adélia Prado continua
a levantar-se para fazer pão, rezar e escrever porque sabe que Deus se
alimenta de palavras e, portanto, é impossível distinguir um poema de uma
prece. Autora também de romances, Adélia Prado é coerente nesse mistério
das suas palavras, e afirma não haver qualquer distinção entre poesia e
prosa: Filha, diz-me o Senhor/ eu só como palavras.
Autora popular muito amada, indigesta para alguns intelectos mais
academizados, iluminada («Eu acho que o conteúdo cognitivo é de ordem
mística, sempre.»), obteve o Prémio Jabuti com o seu segundo livro de poemas
(O Coração Disparado, 1978). Em 1991 publicou a primeira edição
da sua Poesia reunida.
Dela disse (em 1975), Carlos Drummond de Andrade:
Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é
a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis.
Como é que eu posso demonstrar Adélia, se ela
ainda está inédita e só uns poucos do país literário sabem da existênica
desta grande poeta-mulher?
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