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Abel
Neves é há muito um nome conhecido e respeitado no universo teatral português.
Os textos agora reunidos sob o título Algures entre a resposta e
a interrogação são, essencialmente, reflexões sobre o teatro, escritas
ao longo dos últimos anos, suscitadas, por vezes, pela própria escrita
de Abel Neves para os palcos, ou para as aulas que também lecciona, ou
para comunicações públicas. Consegue, assim, lançar desafios na área
da dramaturgia e da encenação, quase sempre a partir da capacidade
de se interrogar:
Uma das tragédias da nossa contemporaneidade é admitir, naturalmente
e com franqueza, que o mundo é cenário e que numa qualquer noite de última
representação o podemos desmontar para, no dia seguinte, o fazermos
girar em digressão, ou arrumar no canto de uma sala recheada de antigos
restos de espectáculo, ou convertê-lo em simples material – nova
matéria-prima – para
futuros cenários, rentabilizando-o, transfigurando-o – vá lá! – mas
guardando na memória os sinais havidos da sua presença diante dos nossos
sentidos. Tudo a eito e a nosso bel-prazer.
Abel Neves, Algures entre a resposta e a interrogação
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