Conversa
com os estudantes das escolas de arquitectura, o manifesto
sobre o ensino da arquitectura, espantosamente actual, que
agora se publica
pela primeira vez em português e cuja génese é descrita assim
pelo seu autor: Era durante a ocupação. Em França, a arquitectura moderna,
portadora de um espírito nocivo, responsável por uma parcela de desorientação,
fora denunciada: traíra a tradição, abrira horizontes nefastos. Além
disso, a acusação vinha simultaneamente das autoridades nazis e das
autoridades moscovitas. [...] Um dia, alguns jovens da escola de Belas-Artes
de Paris pediram-me para abrir um ‘atelier livre’. Declinei a oferta. «Então,
dirija-nos uma mensagem!» Resultado: um livrinho simpático e cuidado,
para satisfazer os jovens.
Estes jovens a quem o velho mestre dirige, primeiro em 1942,
depois em 1957, esta magnífica prosa programática são os
que abordam pela primeira vez o mercado de trabalho: Uma vez terminados os vossos
estudos, será então que descobrireis
todas as dificuldades. Titulares de um ofício em que invenção, pureza e qualidade
moldam o produto , virtudes que dependem do
carácter, ver-vos-eis além disso lançados na vida, com os seus obstáculos
de vaidade, de cupidez, ou muito simplesmente de adversidade. Sereis então
os únicos donos do vosso destino, a partir daí estareis sós. O vosso diploma
não vos dá qualquer direito às fatias do bolo distribuído pelo Governo. Falo,
evidentemente, do assunto que aqui nos ocupa: a arquitectura. Fora dela,
podeis perfeitamente ‘fazer negócios’ e ‘vencer na vida’!
Poder-se-á ser mais actual?
Le Corbusier (1887-1965) assina uma das obras mais importantes
e influentes da arquitectura do século XX.
Arquitecto, urbanista, designer, pintor e escritor suíço naturalizado
francês, co-fundador do ‘Purismo’ (que criticava abertamente o
Cubismo defendendo o regresso ao desenho rigoroso do objecto),
Le Corbusier lança
a base teórica da arquitectura e do urbanismo modernos. Líder do movimento
Moderno, os seus notáveis e inúmeros estudos de urbanismo
atravessam Moscovo, Argel, Montevideu, São Paulo, Buenos Aires, Rio de
Janeiro, Barcelona, Genebra, Estocolmo, etc. Angariou igualmente
grande audiência
para os seus escritos, entre os quais Conversa com os estudantes das
escolas de arquitectura. as dificuldades. |