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Breve História e Descrição da Revista Luso-Brasileira de Poesia Inimigo Rumor

Inimigo Rumor Nº |11|12|13|14|15|

 

Actualmente co-editada pela editora Sette Letras, pela parte brasileira, e pelas editoras Cotovia e Angelus Novus, pela parte portuguesa, a revista de poesia Inimigo Rumor é um projecto absolutamente singular, no campo da lusofonia, antes de mais porque resulta de um intercâmbio não «provocado» ou «incentivado» por instituições dos dois países, mas sim suscitado por um processo crescente de diálogo entre poetas e críticos das duas margens do Atlântico.
Convirá contudo esclarecer que a revista em causa, hoje com 12 números editados, não nasceu agora: em rigor, dever-se-ia dizer, sim, que renasceu ao número 11. De facto, a revista de poesia Inimigo Rumor teve o seu primeiro número publicado em Janeiro de 1997, no Rio de Janeiro, pela Editora Sette Letras. Dirigida ao início por Carlito Azevedo e Júlio Castañon Guimarães e hoje pelo mesmo Carlito Azevedo, Augusto Massi e Marcos Siscar, a revista, de periodicidade semestral, publicou em 2001 o seu nº 10, o que é sempre de assinalar em publicações de poesia, dadas as consabidas dificuldades de mercado que este género literário enfrenta.
Com estes 10 números, Inimigo Rumor conseguiu alcançar no Brasil um estatuto de revista de referência nas publicações periódicas que se dedicam à poesia contemporânea, embora sem descurar o seu enquadramento na tradição da poesia brasileira, bem como na da poesia universal. Assim, as páginas de Inimigo Rumor deram guarida às vozes mais significativas da poesia brasileira de hoje, de Haroldo e Augusto de Campos a Marcos Siscar, Simone Brantes, Italo Moriconi ou Paulo Henriques Britto, passando por Cacaso, Ana Cristina César, Francisco Alvim, Duda Machado, Dora Ribeiro, Sebastião Uchôa Leite, Eudoro Augusto, Arnaldo Antunes e tantos outros.
A revista evidenciou sempre a preocupação de publicar, em traduções cuidadas, alguns dos grandes nomes da poesia moderna. Refiram-se os nomes de Paul Celan, Frank O'Hara, Osip Mandelstan, Federico García Lorca, Francis Ponge, Wallace Stevens, e.e. cummings, Gertrude Stein, René Crevel, José Angel Valente, etc.
Ao mesmo tempo que prestava uma atenção especial à edição de textos poéticos, a Inimigo Rumor distinguiu-se pela importância da sua componente ensaística, na qual pôde contar com os nomes de maior relevo no Brasil, de Antonio Candido (ensaísta já galardoado com o maior prémio literário de língua portuguesa: o Prémio Camões) a Luiz Costa Lima, Heloisa Buarque de Holanda, Sergio Alcides, Ronald Polito, Flora Süssekind, Horácio Costa, etc. Ainda no campo da ensaística, a Inimigo Rumor incluiu desde cedo a participação de nomes estrangeiros como Michel Deguy, Jacques Roubaud e outros, revelando a intenção pedagógica de traduzir para português ensaios fundamentais sobre lírica de autores como Erich Auerbach, Gerard Manley Hopkins ou Jacques Derrida.
Explorando as relações de proximidade linguística e cultural, Inimigo Rumor foi também concedendo especial destaque à poesia da América latina e da Espanha. No nº 9, a revista dedicou um dossier à jovem poesia portuguesa, publicando «10 novos poetas de Portugal», dedicando em seguida, no nº 10, um dossier a Adília Lopes (poemas da autora, entrevista e ensaios sobre a sua obra).
Na sequência desta redobrada atenção à poesia portuguesa, a direcção de Inimigo Rumor propôs que a revista passasse, desde o nº 11, a ser uma publicação luso-brasileira, em regime de co-edição entre, do lado brasileiro, a editora Sette Letras e, do lado português, as editoras Angelus Novus e Livros Cotovia. A direcção da revista passou a integrar, além dos brasileiros Carlito Azevedo, Augusto Massi e Marcos Siscar, os portugueses Américo Lindeza Diogo, André Jorge e Osvaldo Manuel Silvestre. A sede social da publicação é agora, no Brasil, Rua Visconde de Carandaí, 6, Jardim Botânico - Rio de janeiro, CEP 22460-020 e, em Portugal, a sede de Livros Cotovia.
Não serão necessárias mais palavras para se perceber a importância de que se pode revestir esta publicação no diálogo cultural entre Portugal e o Brasil, funcionando ainda como um veículo de difusão da poesia africana de língua portuguesa em ambos os países, já que foi sempre intenção da direcção portuguesa abri-la também à componente africana do mundo lusófono (o que é patente na inclusão, no nº 12, de poemas do angolano Ruy Duarte de Carvalho e de traduções do luso-moçambicano Rui Knopfli). Acresce ainda que uma revista com este perfil, em bom rigor, nunca existiu: de facto, a componente brasileira do órgão modernista Orpheu foi mais simbólica que efectiva, o que se viria a repetir largamente com a presença; e, do lado brasileiro, a presença portuguesa no diálogo com a poesia e a literatura brasileira das últimas décadas, tem vindo a esbater-se e a ser substituída por um diálogo preferencial ou com a América Latina, ou com a Europa Central (França, Inglaterra e Alemanha, sobretudo), ou com a América do Norte. Daí a acrescida importância, para Portugal, antes de mais, de uma publicação pensada sem condescendências nem falsas amizades, mas sim como um espaço de mútuo (re)conhecimento; tanto mais que, insistimos, se trata da revista de referência no campo da poesia no Brasil de hoje, pelo que funcionará como uma montra preciosa para a produção poética e crítica portuguesa. Nesse sentido, a direcção luso-brasileira da revista acordou em que ela terá uma dimensão média de 200 pp., sendo 100 delas atribuídas à parte brasileira e outras 100 à portuguesa. Os textos suceder-se-ão contudo sem separadores, passando-se assim em plena naturalidade da poesia e crítica portuguesas à brasileira e vice-versa.
A revista é semestral, como vinha sendo até aqui.



 

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