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Variações
em Sousa (1987), obra em que revisita o seu tempo de
coimbrão, é talvez o ponto culminante da sua poesia. O título
explica-se pelo recurso epigráfico, em cada uma das três secções
do volume, a versos do poeta António de Sousa (1898-1981), autor hoje
consideravelmente esquecido e muito ligado a uma certa história da cidade
de Coimbra.
No posfácio a esta edição, Gustavo Rubim esclarece a relação
do autor com esta “memória coimbrã”, classificando-a
de “muito fragmentária”, sendo a matéria do livro muito
mais a “dispersão das memórias”do que “uma memória
específica”: “Um livro como as Variações em Sousa
pede, assim, uma espécie
de atenção dupla cuja conciliação se há-de
mostrar fácil. De um lado, estará a quase ciumenta exigência
de concentração no que é irrevogavelmente singular em Fernando
Assis Pacheco, nomeadamente as memórias pessoais”; do outro, a “extrema
permeabilidade dos versos de Fernando Assis Pacheco a uma linguagem que nada
tem de pessoal, salvo o talento com que é convertida em poesia: a linguagem
comum, mesmo vulgar, que torna possível (ou, pelo menos, desejável)
o encontro com o leitor sem a interferência dos grandes filtros morais
da literatura (‘Peçam a grandiloquência a outros/ acho-a pulha
no estado actual da economia’)”.
Fernando Assis Pacheco (1937, Coimbra –1995, Lisboa) estreou-se em 1963 com Cuidar dos Vivos. Publicou em 1972 um dos livros da sua geração, com o título “camuflado”Câu Kiên: Um Resumo, livro que em 1976 ganharia o título até aí ocultado: Catalabanza, Quilolo e Volta. Reuniu a sua poesia sob o revelador título A Musa Irregular(1991).
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