Os Animais Domésticos, texto encomendado pelos Artistas Unidos
a Letizia Russo e criado durante uma residência da autora em Lisboa
com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, assinala o
lançamento de mais um volume da Colecção Livrinhos
de Teatro, com duas peças desta jovem autora italiana.
Os Animais Domésticos estreia
a 22 de Setembro de 2005, com encenação de Jorge
Silva Melo, contando com interpretações de Gonçalo
Waddington, Sylvie Rocha, José Airosa, Joana Bárcia,
Américo Silva, António Simão, Pedro Carraca, João
Meireles, Andreia Bento, Elsa Galvão, Carla Galvão. Daniel
Martinho, António Filipe entre outros, numa co-produção
dos Artistas Unidos com o Teatro Nacional D. Maria II.
Quatro histórias
da vida e morte ordinária de uma dezena de personagens, presenciadas
pelos olhares mudos de quatro lugares e observadas através da
lente de aumentar que será a consciência cívica
que se implantou após o 25 de Abril, Os Animais Domésticos é um
fresco emotivo sobre uma cidade que, com as suas contradições,
aspirações, a sua humanidade dolente e vital, não
mais parou.
Túmulo de Cães: Num
país
qualquer está prestes a acabar uma guerra muito longa que deflagrou
entre duas nações pela posse de água. Johnny,
inapto para o exército, espera que as hostilidades acabem ao
lado da sua mãe, Glauce, que arrancou os olhos quando viu o
cadáver
da sua filha morta por um atirador furtivo; ao lado de Mánia,
sua amante e vizinha de casa; ao lado de Vin, seu amigo desde sempre.
Mánia, mãe de dois filhos e mulher de um soldado que
luta na frente, fica grávida de Johnny: o esforço prioritário é encontrar
dinheiro para o aborto. Mas neste país não há nada
para fazer, excepto, para os que são forçados, vender-se
ao mais forte, como Vin faz. Da frente, chega a notícia da morte
de Luther, o marido de Mánia e ela enlouquece. Mas como um fantasma,
Luther volta inesperadamente para purificar a sua casa: faz Mánia
abortar, já em gravidez avançada, matando-a e vinga-se
sobre Johnny, dando-lhe um tiro na perna que depois será cortada.
No fim, escolhe o suicídio. Johnny e Glauce, sozinhos, serão
deportados pelo amigo Vin para um campo onde se constroem as últimas
armas para acabar com a guerra e onde certamente serão mortos:
um país devora-se a si próprio.
Biografia:
Letizia
Russo nasceu em Roma em 1980. Escreveu para teatro Niente
e nessuno (una cosa finita), representado em 2000 em Castelnuovo di
Farfa, no âmbito
do festival “Per Antiche Vie" organizado por Mario Martone, então
director do Teatro di Roma; Tomba di cani (Prémio Tondelli 2001),
Asfissia, encomendada pelo "Festival di Candoni - ArtaTerme",
(2002) .Binario morto, encomendada pelo National Theatre de Londres,
(2004), Babele, primeiro texto de uma trilogia sobre o poder. Participou,
em 2002, na International Residency do Royal Court de Londres. Escreveu
para a rádio: I conigli sulla luna, Lo spirito nell'acqua, La
via del mare, Qoèlet, Kilmainam Gaol, transmitidos pela Rai3
em 2002. Venceu em 2003 o prémio UBU como revelação
do ano pelo texto Tomba di Cani. É escritora-residente nos Artistas
Unidos entre 2004 e 2005 com o apoio da Fundação Calouste
Gulbenkian.
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