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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Besta de Estilo

ISBN:972-8972-02-4
Pier Paolo Pasolini
142pp.

€7,00

tradução de Clara Rowland    

 

Prossegue, nos LIVRINHOS DE TEATRO, a publicação do Teatro de Pier Paolo Pasolini iniciada com o nº 16 (Orgia e Pocilga). BESTA DE ESTILO saiu acompanhando a apresentação em Lisboa (Culturgest) do espectáculo homónimo dirigido por Antonio Latella.
Se os romances de Pasolini foram editados em Portugal durante a ditadura e o cinema começou a ser visto a partir do Evangelho Segundo S. Mateus, já o teatro de Pier Paolo Pasolini só viria a ser revelado em Portugal em 1985 por Mário Feliciano que dirigiu, no Acarte, Pílades (numa tradução feita com Luíza Neto Jorge), tendo, em 1986, apresentado no Teatro do Ginásio Calderón (em tradução feita com António Barahona). Cerca de dez anos depois, em 1996, estrearam Afabulação com direcção de Luís Miguel Cintra, no Teatro da Cornucópia e Orgia no Teatro Politeama com encenação de Celso Cleto. Mais recentemente o Teatro Nacional D. Maria II produziu Orgia com encenação de João Grosso.

Em 2006/7 sairão do mesmo Autor:
PILADES (tradução de Mário Feliciano e Luíza Neto Jorge) e CALDERÓN (tradução de Mário Feliciano e Antóno Barahona).

BESTA DE ESTILO, tragédia em nove episódios, começa, no final dos anos 30, com a apresentação do jovem de vinte anos Jan, masturbando-se junto ao rio que banha a aldeia boémia de Semice. Através deste acto se manifesta o amor de Jan à poesia e ao povo: e é justamente o partido do povo que ele decide tomar, tendo para isso de aceitar a identificação populista do Estado e da Religião com o Bem, porque o povo não suspeita que exista nada para lá destes elementos. Até que um amigo lhe dá a notícia de que os alemães invadiram a Checoslováquia. Primavera de 44, na montanha, no meio dos resistentes: Karel foi enforcado e, sob a forma de Espírito, anuncia a Jan a deportação e a morte dos seus pais num campo de concentração, enquanto a irmã é a amante de todos os soldados alemães. Até que entramos em Praga, depois do fim da guerra. Jan consegue captar a língua dos seus ‘falantes’ que, subproletários, provocam escândalo. Jan irá depois a Moscovo para ser agraciado com o Prémio Stalin. Mas em Praga, uma manifestação estudantil contesta os intelectuais do regime, entre os quais o próprio Jan. O poeta volta à sua aldeia, onde a Irmã lhe confessa que a ele deve a descoberta do sexo, revelando-lhe que são o desdobramento de uma única pessoa. Aparece agora a Sombra do Pai para profetizar a invasão de Praga pelos tanques soviéticos em 1968. A tragédia conclui com a discussão, entre O Capital e A Revolução, que disputam Jan.
O ponto de partida da obra é a reflexão iniciada durante uma viagem a Praga em 65, em que Pasolini encontra os intelectuais s e discute com eles o papel do intelectual e a questão da liberdade do escritor. Mas é uma obra que permaneceu incompleta, que o autor permanentemente retomou. Se a começou em 1965, como as restantes tragédias, é evidente que a referência à invasão dos tanques soviéticos provem de posteriores correcções. Deste período posterior é também a escolha do nome do protagonista, que lembra Jan Palach, o estudante de Praga que, em Janeiro de 1969, se suicida publicamente pelo fogo, em protesto contra a invasão soviética.
BESTA DE ESTILO é a mais anómala das tragédias de Pasolini, não só pela duração da composição, de 1966 a 1975, num contínuo trabalho de acumulação de materiais que revela um impulso interior maior do que nas outras cinco, mas também pelo seu valor autobiográfico. A obra conta efectivamente o percurso de um homem que parte da decisão de ser poeta em virtude de uma sua sensualidade ‘diversa’, aqui simbolizada pela masturbação no canavial, e de um amor à sua própria terra rural, e que passa depois pela consciência política, chegando finalmente à definição do estilo, ao escândalo da Heresia e à consagração pela cultura oficial.

Pier Paolo Pasolini nasceu a 5 de Março de 1922 em Bolonha. Filho de um militar, seguiu o pai nas várias mudanças de terra, mas frequentou o liceu e a faculdade em Bolonha, onde teve foi aluno de Gianfranco Contini e Roberto Longhi. Passava os Verões em Casarsa, na região do Friuli, cidade de origem da mãe. Aí se refugiou, em 1943, para fugir à incorporação no exército. Compôs os primeiros poemas em dialecto friulano, Poesie a Casarsa (1942), publicados mais tarde, com outros textos friulanos, em La Meglio Gioventù (1958). Em 1945, soube que o irmão mais novo, Guido, tinha sido morto pelos titistas num conflito entre dois grupos de partigiani. Em 1947, inscreveu-se no Partido Comunista. Trabalhou como professor, numa aldeia perto de Casarsa, mas seria despedido e expulso do PCI por um obscuro episódio de alegada corrupção de menores. Esse foi o primeiro de uma enorme lista de processos (mais de 30) que deram a Pasolini a consciência da sua diversidade e marcaram o seu destino de marginalizado e rebelde.

 

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