Calderón (1973)
foi a única peça teatral publicada em vida de
Pier Paolo Pasolini (edições Garzanti de Milão).
Pasolini reporta-se ao grande tragediógrafo espanhol do “Século
de Ouro” Pedro Calderón de la Barca (1600-1681) e a A Vida é Sonho,
considerada a sua obra prima. As personagens chamam-se, como em Calderón,
Basílio, Segismundo, Rosaura, mas a intriga é diferente.
A peça passa-se em Espanha, mas na Espanha franquista de 1967,
e desenvolve-se, em relação à intriga, em três
sonhos sucessivos, em três ambientes: aristocrático, proletário,
médio-burguês. É sobretudo uma parábola
sobre a impossibilidade de evasão da própria condição
social.
Pier Paolo Pasolini nasceu
a 5 de Março de 1922 em Bolonha.
Filho de um militar, seguiu o pai nas várias mudanças
de terra, mas frequentou o liceu e a faculdade em Bolonha, onde foi
aluno de Gianfranco Contini e Roberto Longhi.
Nos anos 60 publicou Il Sogno di Una Cosa (escrito em 1949), mais
poemas (poesia in Forma di Rosa, 1964, Trasumanar e Organizzar, 1971),
e foi muito activo como
crítico em vários diários e revistas (entre outras, dirigiu
com Alberto Moravia e Alberto Carocci a Nuovi Argomenti), actividade que, depois
da colectânea Passione e Ideologia, esteve na origem de muitas publicações,
parcialmente póstumas: Empirismo Herege (1972), Escritos
Corsários (1975), Descrizioni di Descrizioni (1979).
Para além de várias peças inacabadas que escreveu na juventude
e da tradução de clássicos (Ésquilo, Plauto), a sua
produção teatral é composta por seis tragédias, cinco
delas escritas em 1966: Calderón, Afabulação, Pílades,
Pocilga, Orgia e Besta de Estilo – que começou a escrever em 1966 e prosseguiu
até 1973, tendo ficado inacabada.
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