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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Caminho do Céu / O Jardim Queimado / Animais Nocturnos

ISBN: 972-99450-4-7
Juan Mayorga
170 pp.

€7,00

Tradução de António Gonçalves

 

«"Caminho do Céu" parte de um acontecimento que me impressionou muito: um delegado da Cruz Vermelha visitou um campo de concentração e fez um relatório relativamente favorável. A personagem interessou-me muito, achei que se parecia comigo e com muita gente que me rodeia, pessoas que querem ajudar e não são suficientemente fortes. Construí uma ficção onde o campo é disfarçado de cidade normal, com um comandante que é uma espécie de Próspero, alguém que tem a possibilidade de fazer a obra de arte total, a grande peça de teatro diante deste delegado. A terceira personagem que me interessava era o que fazia o papel de presidente da câmara, o interlocutor entre o comandante e as vítimas que por um lado coopera com o verdugo e por outro ganha tempo, não o levam para a câmara de gás porque participa num jogo. Uma quarta personagem, colectiva, são os pequenos judeus a quem vemos sempre não na vida mas na representação da vida. Há um que é o vendedor de balões, porque o comandante lhe disse para fazer de vendedor balões. É uma peça que fala da necessidade que temos de mentir uma e outra vez e de como se dá uma segunda morte às vítimas quando se lhes pede que intervenham no relato do verdugo.

Em "Animais Nocturnos", um homem utiliza a lei da emigração para dominar outro. A lei da emigração é a lei mais importante, é a verdadeira constituição, porque divide a sociedade em dois, os legais e os ilegais; e os ilegais estão à mercê dos legais. Pus a hipótese de que um homem legal se servisse desta diferença para transformar outro em escravo, para lhe completar os desejos. Não lhe pede que trabalhe para ele, mas sim coisas como: “Agora dá um passeio comigo, vais ser o amigo que eu nunca tive.” A lei da emigração é uma lei perversa que coroa uma sociedade perversa: tratamos assim os estrangeiros porque tratamos os outros assim. Mostra que os direitos humanos são uma ficção, uma fantasia. Só existem os direitos da cidadania, associados a passaportes, a documentos. Mas aceitar isto é gravíssimo, porque me põe também a mim em perigo. Aceitar a lei supõe que o estado pode a dado momento declarar-nos a nós invisíveis e ilegais.»

Juan Mayorga em entrevista publicada na Revista "Artistas Unidos"

Biografia:

Juan Mayorga nasceu em 1965 em Madrid. Licenciado em filosofia e matemática, dedicou-se à filosofia da história e da estética. A sua tese de doutoramento intitula-se “A filosofia da História de Walter Benjamin” e aborda as obras de Walter Benjamin, Ernst Jünger, Georges Sorel, Donoso Cortés, Carl Schmitt e Franz Kafka. É membro do grupo de investigação " O Judaismo. Uma tradição esquecida na Europa” do Instituto de Filosofia do Conselho Superior de Investigação Científica. Publicou em 2003 ( edições Anthropos de Barcelona) o ensaio "Revolución conservadora y conservación revolucionaria. Política y memoria en Walter Benjamin". É autor de vários textos sobre Lope de Vega, Artaud, Dürrenmatt, Heiner Müller, Valère Novarina e José Sanchis Sinisterra, entre outros. É membro do conselho de redacção da revista “Primer Acto”. Ensina dramaturgia e história das ideias na Real Escuela Superior de Arte Dramático de Madrid. Frequentou os seminários de dramaturgia dirigidos por Marco Antonio de la Parra e José Sanchis Sinisterra, assim como a Royal Court Theatre International Summer School de Londres em 1998. Do seminário dirigido por Marco Antonio de la Parra en 1992, nasceu um pequeno grupo de autores madrilenos - José Ramón Fernández, Luis Miguel González Cruz, Raúl Hernández, Juan Mayorga – que fundam o colectivo "El Astillero" em 1994. O encenador Guillermo Heras participa igualmente nesta aventura Mayorga começa a dedicar-se à escrita teatral em 1989, ano em que é nomeado para o prémio Marqués de Bradomín por Siete hombre buenos.
Estreou ou publicou os seguintes textos para teatro:- Siete hombres Buenos (1989)-. Más ceniza (1992), El traductor de Blumemberg (1994-2000), Concierto fatal de la viuda Kolakowski (1994), El hombre de oro (1996), El sueño de Ginebra (1996), El jardín quemado. (1998), La mala imagen (1997), Legión (1998), La piel (1998), Amarillo (1998-2000), El Crack (1998), Angelus Novus (1999), Cartas de amor a Stalin (1998), La mujer de mi vida (1999), BRGS (2000), El Gordo y el Flaco (2001), La mano izquierda (2001), Una carta de Sarajevo (2001), Encuentro en Salamanca (2002), La biblioteca del Diablo (2001), Camino del cielo (2002), El buen vecino (2002), Sonámbulo (A partir de “Sobre los ángeles”, de Rafael Alberti) (2003), Animales nocturnos (2003), Tres anillos (2004). Foi ainda co-autor, com Juan Cavestany, de Alejandro y Ana e autor de Lo que España no pudo ver del banquete de la boda de la hija del presidente (2003), Ultimas Palabras de Copito de Nieve (2004) e Hamelin (2004) . Traduziu e adaptou A Visita da Velha Senhora de Friedrich Dürrenmatt (2000), O Monstro dos jardins de Calderón (2000), A dama boba de Lope (2002) Nathan, O Sábio, de Lessing (2003).
A sua peça Cartas de Amor a Stalin, em tradução de José Martins, está editada na Campo das Letras. E O Tradutor de Blumemberg, em tradução de António Gonçalves foi editado na Revista "Artistas Unidos".

 

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