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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Inverno

ISBN: 972-99450-2-0
Jon Fosse
92 pp.

€7,00

Tradução de Pedro Porto Fernandes

Inverno estreeou a 17 de Fevereiro no Teatro Taborda com encenação de Jorge Silva Melo com interpretações de Pedro Lima e Sylvie Rocha.

Uma mulher, um homem, um banco na rua, um quarto de hotel: duas pessoas que se encontram, ela é a estrangeira, está sozinha, ele só aqui é estrangeiro, tem uma mulher e duas crianças numa outra cidade. Ela deseja-o, mas ele não é capaz de se separar da família, depois ele deseja-a a ela, e ela por sua vez reage com reservas. Trata-se de um encontro com os momentos que escaparam, a par com uma linguagem desamparada que a maior parte das vezes já só se perde em pequenas palavras.
Resta um silêncio entre as pessoas, silêncio que deixa adivinhar a necessidade de amor que os anima a ambos? uma necessidade não satisfeita. É uma grande peça sobre o amor que Fosse obsessivamente exorciza com a sua linguagem restrita e altamente musical, expondo desta forma, mais uma vez, a relação arquetípica entre duas pessoas. No final há apenas um abraço sem futuro entre duas pessoas que se poderiam ter amado.

Inverno, escrita em 2000, é a peça mais minimalista de Jon Fosse, autor norueguês de quem os Artistas Unidos já estrearam várias peças.

Biografia:

Jon Fosse nasceu em 1959 em Haugesund, no Oeste da Noruega. Vive há 20 anos em Bergen: Escreve em novo norueguês, língua obrigatória nas escolas mas que só é falada nessa região. Estreou-se na literatura em 1983, tendo publicado cerca de quinze livros antes de chegar ao teatro: romances, poesia, ensaio, novelas e livros para crianças. A sua primeira obra para teatro foi escrita em 1994. Desde então já escreveu mais de quinze peças, que têm sido representadas na Noruega e no estrangeiro, dirigidas por encenadores como Gunnel Lindblom, Claude Règy, Jacques Lassale, Thomas Ostermeier, Barbara Frey, Katie Mitchell. Jon Fosse esteve em Portugal em Março de 2000, aquando das estreia de Vai Vir Alguém n’a Capital com encenação de Solveig Nordlund e interpretação de Isabel Muñoz Cardoso, Diogo Dória e Paulo Claro e voltou a 11 de Março de 2001 para assistir a Sonho de Outono, com encenação também de Solveig Nordlund e interpretação de Gracinda Nave, Marco Delgado, Camacho Costa, Lucinda Loureiro e Sylvie Rocha. A Noite Canta os seus Cantos estreou em Portugal a 26 de Fevereiro de 2004, no Teatro Taborda, com encenação de João Fiadeiro e interpretação de Joana Bárcia, António Simão, Isabel Muñoz Cardoso, António Évora e Américo Silva numa produção Artistas Unidos / Re.Al. Registos das suas intervenções, quando esteve n’a Capital, encontram-se publicadas nos números 2 e 4 da revista Artistas Unidos.
Escreveu as seguintes peças: E Nunca nos Separarão (1994), O Nome (1995), Vai Vir Alguém (1996), A Criança (1997), Mãe e Criança (1997), O Filho (1997), A Noite Canta os seus Cantos (1998), Um Dia de Verão (1998), Sonho de Outono (1999), Quando a Luz Baixa e Fica Escuro (1999), Dorme, Meu Menino (1999), Visitas (2000), O Guitarrista (2000), Inverno (2000), Variações Sobre a Morte (2001), Rapariga no Sofá (2002), Lilás (2002), Os Cães Mortos (2003).

Em Portugal foram apresentadas outras peças de Jon Fosse: Vai Vir Alguém (editado na Revista Artistas Unidos nº 2); Sonho de Outono (editado na Campo das Letras em conjunto com O Nome); A Noite Canta os Seus Cantos (editado nos Livrinhos de Teatro nº 4)

Crítica:

Logo nas primeiras páginas de uma peça de Fosse o texto prendeu a minha atenção: aqui está alguém que tem uma voz extremamente pessoal, um dramaturgo especial. Tornou-se logo evidente e não havia nenhuma dúvida. Se a memória não me falha tive a mesma sensação há quarenta anos quando li uma peça do então desconhecido Harold Pinter.


Louis Muinzer

O seu ritmo é repetitivo e obsessivo: os mesmos pensamentos as mesmas sensações repetem-se obsessivamente, revelando esquemas escondidos de acção. O único livro escrito até agora sobre a escrita de Jon Fosse: ”Replacing Happiness with a Comma (1996) de Espen Stueland, fala disso e de como as pausas no que é dito e escrito criam um sentido além daquilo que é concretamente dito.


Michel Cournot

Das suas peças emana uma luz muito particular que lembra a dos pintores escandinavos, Munch, por exemplo. Uma luz branca como acontece nos eclipses, mas uma luz que desenha com nitidez os contornos dos objectos e das personagens. Contradição? Não. Porque a ausência de luz corresponde a uma outra ausência: o número das personagens é sempre pequeno: são dois, três, quando muito quatro. Aumenta a concentração, agudiza-se a percepção porque um terceiro fenómeno aparece: e é a dimensão do tempo. O tempo parece ter parado no universo de Fosse. A linguagem simples e repetitiva revela a solidão profunda dos homens. A ausência de luz, o isolamento no espaço e o tempo quieto transformam as peças de Jon Fosse em instantes de grande recolhimento e essa é a finalidade confessa do autor "criar momentos em que um anjo passa".


Terje Sinding

 

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