Acompanhando a temporada
de 2005 dedicada, em parte, ao teatro de Jean-Luc Lagarce (Tão
só o fim do mundo – esteado em Janeiro; As
Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna – esteado em Março;
Music-Hall – em preparação para Julho), os Artistas Unidos
publicam na colecção Livrinhos de Teatro o segundo volume
com peças deste autor.
Nos Livrinhos de Teatro
foram já publicadas peças de Spiro Scimone, Antonio Onetti,
Irmãos Presniakov, Jon Fosse, Joe Orton, José Maria Vieira
Mendes e Jean-Luc Lagarce.
"Music-Hall" estreia a 8 de Julho no CCB em colaboração
com o Festival de Almada e conta com interpretações de Américo
Silva, António Simão e Pedro Carraca e encenação
de François Berreur, colaborador de Lagarce durante os anos do Théâtre
de la Roulotte.
"Music-Hall"
Os amantes da canção nostálgica serão sensíveis
ao charme discreto desta evocação ternurenta, desesperada e corrosiva
do mundo do espectáculo. Para os que gostam do teatro que se inventa
no presente.
Como todas as noites,
nesta cidade, e como em todas as outras cidades, desde há vinte ou
trinta anos... uma rapariga conta a sua pequena história, a
conclusão da sua jornada terrível, recita as várias
humilhações e acontecimentos diversos.
Como todas as noites, dois
rapazes, fatigados, que sonham em evadir-se e escapar, iludem e fazem
de conta com ela.
São três pessoas que andam de sala em sala, desde há vários
anos, em centros culturais sinistros, onde o público continua a mascar
batatas fritas e a tragar cervejas durante o espectáculo.
"História de
amor (últimos capítulos)"
Um homem e uma mulher reencontram um outro homem com quem viveram uma história
de amor, homem que haviam abandonado para viverem juntos.
Este homem sozinho, hoje, lê a peça, conta a história deles...
tal como a quer recordar, tal como a imagina.
"Últimos
Remorsos Antes do Esquecimento"
Uma situação dramática simples: alguns amigos reencontram-se
após algum tempo para resolver o problema de uma casa que haviam comprado
uns anos antes. É o ponto de partida, pretexto para acertos de contas,
para mal entendidos, para recordações nostálgicas e para
encarar o presente. Como é que cada um negociou a passagem difícil
das ilusões da juventude aos compromissos da idade adulta. Este texto
de Jean-Luc Lagarce impõe rigor e simplicidade para um trabalho mais
próximo dos actores e dos movimentos interiores.
Biografia:
Jean-Luc Lagarce nasceu
em Héricourt, França, a 14 de Fevereiro de 1956. Autor
de uma vasta obra para teatro reunida em quatro volumes publicados
na editora "Les Solitaires Intempestifs" (1999), escreveu
ainda um ensaio, "Théâtre et Pouvoir en Occident" (2001),
três textos em prosa, "L’Apprentissage", "Le
Bain" e "Le Voyage à La Haye" (2001)
e vários artigos reunidos no volume Du Luxe et de l’Impuissance (1997). Encenador e co-fundador da companhia “Le Théâtre de la
Roulotte” leva à cena, para além dos seus próprios
textos, autores tão diversos como Kafka, Ionesco, Molière
ou Wedekind. Morreu a 30 de Setembro de 1995.
Lagarce escreve sem
recorrer a efeitos, numa língua simples e bela. Usa poucas
palavras, sempre justas, sempre as mesmas como em Racine. Alguém
vai morrer. É uma questão de tempo. A escrita também é uma
questão de tempo: aqui é a palavra que toca a finados.
Frédéric Ferney, Le Figaro
A língua de
Lagarce é bela, simples, sem qualquer ênfase. Não
recorre a imagens. Há uma economia que lhe confere um tom
lírico, sugere mais do que diz. E há um ritmo, uma
musicalidade da palavra.
Raymonde Temkine, Europe
A estreia de "Music-Hall" a
8 de Julho marca a estreia desta peça em Portugal.
"História de Amor (últimos capítulos)" e "Últimos
Remorsos Antes do Esquecimento" ainda não tiveram estreia nacional.
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