Pílades é menos
uma peça “dialéctica” contra o poder do que uma peça épico-lírica
sobre o poder. Mais do que metaforizar a sua oposição
ao indivíduo, descreve a sua imparável ascensão.
Apesar do adensar dos episódios, do crescer das personagens
(mas em Pasolini, tão avesso à intriga, também
estes são sinais, pela negativa, muito eloquentes), Pílades é de
uma extrema linearidade: não apresenta novidade estrutural (nem
a estrutura de eclipse, inesperadamente truncada, de Orgia; nem a de
círculos concêntricos de Calderón; nem a de políptico
de Afabulação), é uma espécie de (resignado?)
apêndice da Oresteia de Ésquilo (traduzida por Pasolini
em 1960); mas o tom e o próprio ritmo da escrita são
mais os de uma azeda e pessimista epítome: e, além disso,
epítome (isto é, compêndio) do já acontecido,
que se considera retrospectivamente com a amarga consciência
de que o “tempo” nos “deixou para trás”.dição
apoiada pela Embaixada da Grécia. Tradução realizada
no âmbito
do Atelier Européen de la Traduction / Scène Nationale
d’Orléans com a participação da União Europeia
– Comissão Educação e Cultura – Programa Cultura
2000. |