LIVROS

livrinhos de teatro - Artistas Unidos

[VOLTAR]

Seis Personagens à Procura de Autor /
Para Cada Um Sua Verdade/
Esta Noite Improvisa-se

ISBN: 978-972-8972-23-3
Luigi Pirandello
264 pp.

€10,00

Traduções de Mário Feliciano e Fernando José Oliveira /
Osório Mateus e Luis Miguel Cintra

 

SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR de Luigi Pirandello
Tradução Mário Feliciano e Fernando José Oliveira Com João Perry, Sylvie Rocha, Lia Gama, Mariema, Pedro Gil, Pedro Lacerda, Andreia Bento, Cândido Ferreira, Sílvia Filipe, António Simão, João Meireles,João Miguel Rodrigues, John Romão e outros (*) Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo
(*) elenco em constituição

Uma produção Teatro São Luiz/Artistas Unidos

Estreia no Teatro Municipal São Luiz a 17 de Setembro de 2009

“E eis que surge uma família em luto, com rostos esmaecidos e como que vindos de um sonho. São as Seis Personagens que procuram Autor e que tentam viver. Querem ser mergulhados num drama. São mais reais do que tu, encenador, trapalhão imundo. São reais e provam-no…” Foi com esta declaração que Antonin Artaud saudou a estreia em 1923 em Paris na Comédie des Champs Elysées deste texto que rompeu as quatro paredes falsas do teatro como, ao mesmo tempo, entre o Cais do Sodré e Campo de Ourique, Pessoa rompia a identidade da voz poética. Pirandello realiza um teatro vigoroso, de reflexão e luta interior constante, caminha até à angús-tia do homem obscuro que se perdeu no mundo tremendo do seu ser, do homem comum que se senta na beira do caminho e se interroga numa tentativa desesperada de se compreender e de compreender o mundo que o rodeia.

Rogério Paulo

ENCENADOR
Mas tudo isso é narração, meus senhores!


FILHO
Literatura, literatura!


PAI
Qual literatura! Isto é a vida, senhor. Paixão...


ENCENADOR
Será. Mas irrepresentável!

in Seis Personagens à Procura de Autor

Essas personagens já se destacaram de mim; vivem por conta própria; adquiriram voz e movimento; já se tornaram, portanto, na luta que tiveram de sustentar comigo para defender a sua vida, personagens dramáticas, personagens aptas a falar e mover-se por si; como tais a si-próprias se vêm desde já; aprenderam a defender-se de mim; saberão também defender-se dos outros. E, se assim é, deixemo-las viver onde habitualmente as personagens dramáticas vivem a sua vida própria: num palco. E vejamos o que acontece.
Luigi Pirandello

Posso apenas dizer que, sem tê-las de maneira nenhuma procurado, encontrei diante de mim aquelas seis personagens que ora se vêem em cena, vivas ao ponto de poder tocar-lhes e ouvir-lhes a respiração.
Luigi Pirandello

E eis que aquele sentido universal que eu de início em vão procurava descobrir naquelas seis personagens, elas-próprias vivendo por si sobre as tábuas do palco, vieram a encontrá-lo na excitação da luta desesperada de cada uma delas contra as outras e de todas contra o Director de Cena e os actores que não as compreendem.
Luigi Pirandello

“Sem querer, e até sem saber, cada uma delas, exaltada no ardor da discussão, para se defender das acusações das outras, exprime apaixonada e atormentadamente aquelas preocupações que durante tantos anos habitaram o meu espírito: o equívoco da compreensão recíproca irremediavelmente baseado na abstracção vazia das palavras; a personalidade múltipla de cada indivíduo consoante as inúmeras possibilidades de ser que em cada um de nós se encerram; e enfim o trá-gico conflito imanente entre a vida que incessantemente se move e modifica e a forma imutável que a fixa.”
Luigi Pirandello


Esta Noite Improvisa-se
Com Seis Personagens à Procura de Autor (1921) e Ciascuno a suo modo (1924) ,  Esta Noite Improvisa-se (1930) conclui a  trilogia do "teatro no teatro" de Pirandello, que, instalando a dúvida no cerne do discurso,   revolucionou para sempre o modo de representação no palco.
Aqui parte-se de um encenador que, perante os espectadores de uma estreia, propõe aos seus actores uma improvisação a partir de uma pequena novela de Pirandello, Leonora, Addio! Será esse o ponto de partida de um labirinto barroco de dúvidas, incertezas, sentimentos opostos, contradições, lutas, discussões, insultos, explosões irracionais, um carrossel da vida. Tudo a partir do sufocante dia-a-dia de uma vila de província, onde os sonhos são reprimidos e a sexualidade explode - e com ela o ciúme, “e o mais terrível de todos: o ciúme do passado”.
Mas o que é Esta Noite Improvisa-se, peça onde já se viu uma dilacerante meditação sobre a importância crescente do encenador, critica que seria feita a Max Reinhardt quando ele dirigiu em Berlim as Seis Personagens? Ou uma inquietante meditação sobre a dúvida, a incerteza, o boato, a aparência? Pois que acontece quando a vida faz rebentar as paredes da forma, quando o teatro começa depois do texto escrito pelo Autor?  Se a única verdade da vida é a inesperada aparição da Morte (a de Mommina, aqui; como o suicídio do menino em Seis Personagens), que faz disso o teatro?
Estamos aqui na triste história da família La Croce, família pequeno-burguesa de uma cidadezinha de província, com a sua mãe casamenteira, filhas casadoiras, resignado pai que se entrega a delírios extra-conjugais, rapazes de arribação. E a vida que se fecha para a mais abnegada das quatro filhas da família La Croce, essa Mommina que sonhava vir a cantar Verdi nos grandes teatros e acaba fechada em casa, na tremenda teia de ciúmes que sobre ela foi construindo o marido, o tenebroso Rico Verri?
E a vida, o que foi, a não ser um sonho, dirá Pirandello, um sonho de teatro?

em cena no Teatro D. Maria II - Sala Garrett - de 5 de Março 2009 a 5 de Abril 2009.

LUIGI PIRANDELLO

Nasceu, em 28 de Junho de 1867, perto de Agrigento, na Sicília, numa localidade chamada Caos. A sua vida foi, como escreveu, a “involuntária passagem pela terra de um filho do caos.” Após o liceu em Palermo, irá ajudar o pai na gestão das minas de enxofre que a família possui. Mas cedo abandonará os negócios familiares para frequentar a Universidade, primeiro em Roma, depois em Bona, onde se licencia em Filologia Românica. A partir de 1892, estabelece-se em Roma onde inicia a sua carreira literária, aconselhado pelo seu conterrâneo Luigi Capuana a escrever narrativas. Em 1894, casa-se com Maria Antonietta Portulano, herdeira de um sócio do pai, que irá sofrer de distúrbios mentais que muito o afectarão. Em 1901, publica o primeiro romance, L'esclusa e, em 1902, Il turno. Autor de uma obra vasta, Pirandello escreveu diversos romances, contos e novelas que foram compilados sob o título de "Novelle per un anno" (15 vols., 1922-37). Com Ele Foi Matias Pascal,  romance publicado em 1904, obteve um enorme êxito editorial. Dos seus seis romances, os mais conhecidos são "Ele Foi Matias Pascal" (1904) e Um, ninguém e cem mil  (1926) ambos editados em Portugal na Cavalo de Ferro.
Mas será a partir de 1915 que começa a sua carreira triunfal de autor dramático, com obras como Cautela Libertino!, Limões da Sicília,  Liolà (1916), Para Cada Um a Sua Verdade, O Barrete de Guizos, A Volúpia da Honra (1917), Ma Non È Una Cosa Seria e Il Giuoco delle Parti (1918), muitas delas tendo origem nas suas novelas ou contos. Em 1918 publica o primeiro volume do teatro sob o título «Máscaras nuas», título que é todo um programa. Pirandello concentra-se no problema da identidade. O eu existe apenas em relação aos outros; consiste na mudança de facetas que escondem um abismo inescrutável. Numa peça como Para Cada Um a Sua Verdade (1918), duas pessoas detêm percepções contraditórias sobre uma terceira pessoa. A protagonista de Vestir os Nus (1923) tenta firmar a sua identidade ao assumir diversas identidades; gradualmente apercebe-se da sua verdadeira posição na ordem social e no fim morre «nua», sem máscara social, aos seus próprios olhos e dos amigos. Da mesma forma, em Henrique IV, (1922) um homem supostamente louco imagina que é um imperador medieval, e a sua imaginação e a realidade são estranhamente confusas. O conflito entre ilusão e realidade é central em A Vida Que Te Dei (1924) ou A Desconhecida (1930). A análise e dissolução de um eu unificado é levado ao extremo em Seis personagens à Procura de Autor (1921) onde o próprio palco, o símbolo da aparência versus realidade, é o centro da peça. Com esta peça, Pirandello conhece um êxito internacional que o leva aos principais teatros do mundo, de Berlim a Paris e a Nova Iorque. A sua produção teatral prossegue com Henrique IV e Vestir Os Nus (1922), O Homem da Flor na Boca (1923), Ciascuno a suo modo (1924). A partir de 1924, dirige, em Roma, o Teatro d'Arte que, durante três temporadas (até 1928), faz conhecer mundialmente o seu teatro. A intérprete por excelência da sua obra será  Marta Abba, a quem Pirandello está ligado sentimentalmente.
Com La Nuova Colonia (1928) inaugura uma série de textos que irão constituir o seu derradeiro ciclo, o dos «mitos» modernos, que culmina nos Gigantes da Montanha, texto inacabado. Desta sua última fase é também crucial o texto Esta Noite Improvisa-se (1930) onde especula sobre a vida, a criação e o teatro.
Em 1931, esteve em Lisboa, no Congresso da Critica, tendo assistido à estreia de Um Sonho, Mas Talvez Não, na companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

Em 1934 é-lhe atribuído o prémio Nobel. Morre, em Roma, a 10  de Dezembro de 1936.

 

 

.
LIVROS
.


© 2004 Livros Cotovia. Todos os direitos reservados.
Web-design Copis