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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Stabat Mater / Paixão Segundo João

Antonio Tarantino

€7,00

Tradução de Tereza Bento

Stabat Mater: Maria, à procura do filho desaparecido, acaba por socumbir. Ex-prostituta, mergulhada na miséria, sozinha, resignada e cheia de ódio contra a sociedade. O texto é uma longa afabulação não narrativa, onde a partir da imagem marginalizada, mas vibrante das figuras de fé e do mito, e da linguagem de rua dos imigrantes, que mistura os dialectos, com efeitos de verdades e comicidades irresistíveis, sobressai a heresia, própria da vida, de uma dor que não serve nem salva, e da história que impiedosamente repete o seu ciclo sem evoluir.

Paixão Segundo João:Duas personagens, um doente mental e o seu enfermeiro, alternam-se em monólogos nas várias estações que marcam um dia de manicómio. São as etapas de um calvário percorrido por um louco que acredita ser ELE, enquanto o seu acompanhante expõe os delírios num ambiente de prepotências diárias nas quais ele também participa

Autobiografia:

Antonio Tarantino: Nasci em 1938. Não completei estudos académicos, pode portanto dizer-se que sou autodidacta. Fui desenhador e pintor. Comecei a escrever peças de teatro depois dos cinquenta anos. Em 1993, recebi o Prémio Riccione (um importante prémio de dramaturgia) por dois textos: "Stabat Mater" e "Passione secondo Giovanni". A seguir, escrevi mais peças: "Vespro della Beata Vergine" e "Lustrini". Estas quatro peças foram publicadas num volume da editora Ubulibri de Milão e foram representadas em vários teatros italianos. Por esta "tetralogia" foi-me atribuido o prémio Ubu, o mais prestigiado prémio do teatro italiano. Entre 1995 e 1997, escrevi uma obra de grande fôlego, Materiale per una Tragedia Tedesca, pela qual ganhei outra vez o prémio Ubu e o prémio Riccione. Nesta minha peça, os actos de terrorismo ocorridos na Alemanha nos anos setenta, são observados através de uma óptica peculiar: os dados históricos e a credibilidade "real" das personagens, protagonistas desses mesmos acontecimentos, são irrelevantes, para não interferir com a teatralidade (único elemento fundamental e único facto verdadeiro) do texto e da encenação. Em 2000, escrevi uma peça que me foi encomendada pelo Centro Teatral de Udine: Stranieri que foi lida naquela cidade. Entre 2002 e 2004 escrevi "A Casa de Ramalah" e "A Paz". Os meus textos foram traduzidos e encenados em França e na Alemanha. Se posso exprimir aqui uma reflexão sobre tudo o que escrevi nestes anos, acho que os meus textos vivem no espaço que existe entre a empolada construção daquela vã hipóstaste que, para o Humanismo é o Ser Humano (nas suas várias declinações: religiosas, políticas, politico-literárias, científicas), e a nossa mesquinha realidade. O meu teatro é, assim, um teatro do "refugo". Considerando "refugo" aquilo que já não pode ser utilizado nem desfrutado, e é também rejeitado. Ou diferença entre o que somos e aquilo que acreditamos ser.

Antonio Tarantino

No contexto de todos os conflitos “históricos” , as razões individuais ou colectivas de cada um dos militantes dos dois blocos, submetem-se e são instrumentalizadas pelos projectos dos grupos de poder opostos e, pelos mesmos, levadas ao paroxismo através da propaganda. Desta maneira, os sentimentos origináis dos dois povos que se defrontam, são manipulados, enfraquecidos, e assim atirados para o fundo da cena dos acontecimentos onde, em primeiro plano, se tornam cada dia mais evidentes os fins e os propósitos dos dois poderes em conflito.
Assim, a cena, gangrenada pela guerra, está pronta para ser pisada sem possibilidade nenhuma de oposição, tratamento ou cura. Tudo o que podia pertencer a um autêntico sentimento dos povos (amor pela sua história, as suas tradições, a sua terra) é substituído pela política, pela economia, e pelo armamento. Que agora observam, do alto do seu incontestado domínio, o desenrolar dos acontecimentos. O caminho da “história”.

Antonio Tarantino

 

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