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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Tão só o fim do mundo / As regras da arte de bem viver na sociedade moderna / Estava em casa e esperava que a chuva viesse

ISBN: 972-99450-1-2
Jean-Luc Lagarce
180 pp.

€7,00

Tradução Alexandra Moreira da Silva

 

Acompanhando a estreia, no Teatro Taborda, de Tão Só o Fim do Mundo de Jean-Luc Lagarce, os Artistas Unidos publicam na colecção Livrinhos de Teatro três peças deste autor francês.

Tão só o fim do mundo estreou a 6 de Janeiro no Teatro Taborda com interpretações de Joana Bárcia, José Airosa, Teresa Sobral, Américo Silva e Fernanda Montemor e encenação de Alberto Seixas Santos.

Tão só o fim do mundo


Um homem, um filho, regressa a casa dos seus que há muito deixara. Sabe que vai morrer. Volta para lhes dizer. Volta a ver a mãe, a irmã, o irmão e a cunhada. Gostava de lhes falar, de lhes dizer quem é e como anda, os seus desejos e penas. Nada disso consegue. É esta a incrível força desta peça: nada é dito e, no entanto, cada um dos que se cala está entregue às palavras. São lutas improváveis e subterrâneas de que nos fala o teatro de Jean-Luc Lagarce. Para ocupar o lugar vazio de um amor desfeito, incapaz de passar à linguagem. O homem vai-se embora sem nada ter dito. Lagarce volta, seis anos, depois, em Le Pays Lointain a este mesmo rapaz.
Tão só o fim do mundo foi escrito por um homem que se sabia condenado. Provavelmente só quem está perto da morte pode ter uma tal preocupação com a justeza das palavras. Em Lagarce, não se trata de preciosismo, esta precisão é a sua escrita, exigente, rigorosa, não naturalista. Esta exigência formal ultrapassa a história da família e dá-lhe um lado universal, como todas as grandes obras literárias.

As regras da arte de bem viver na sociedade moderna

Nascer não é complicado. Morrer é muito fácil. Viver, entre estes dois acontecimentos, não é necessariamente impossível. Basta seguir algumas regras e aplicar alguns princípios para se adaptar. Basta saber que, em todas as circunstâncias, existe uma solução, uma maneira de agir, uma explicação para os problemas... pois a vida não é mais do que uma longa sequência de problemas para os quais cada um deve conhecer a solução.
Um manual de sobrevivência implacável e original. Uma lista dos ritos que comandam a vida. Inspirado nos manuais de usos e costumes e de etiqueta.
As regras da arte de bem viver estreou em Julho de 1999, em Viana do Castelo, no Teatro Municipal Sá de Miranda, uma produção Teatro de Noroeste. Os Artistas Unidos apresentam uma nova versão em 2005 com direcção de Teresa Sobral e interpretação de Isabel Muñoz Cardoso.

Estava em casa e esperava que a chuva viesse


Cinco mulheres numa casa, no fim do Verão, desde o início da tarde até à manhã do dia seguinte. A noite trará os seus demónios.
Cinco mulheres e um homem jovem. Desiludido com tudo, desiludido com as suas guerras e batalhas, volta, por fim, a casa, volta ao seu ponto de partida para morrer. Está no seu quarto, no quarto onde foi criança, adolescente, onde viveu antes de as abandonar brutalmente.
Elas, em torno da sua cama, protegem-no e tranquilizam-se mutuamente. Elas cuidam dele, escutam a sua respiração, andam em bicos de pés. Sussuram as suas histórias, esta ausência de história em que vivem desde que ele as abandonou, a história dele, uma longa balada através do mundo.
É uma dança lenta das mulheres em volta da cama de um homem jovem adormecido.
Estava em casa à espera que a chuva viesse estreou em Março de 1998, em Viana do Castelo, no Teatro Municipal Sá de Miranda, uma produção Teatro de Noroeste.

 

Biografia:

Jean-Luc Lagarce nasceu em Héricourt, França, a 14 de Fevereiro de 1956. Autor de uma vasta obra para teatro reunida em quatro volumes publicados na editora Les Solitaires Intempestifs (1999), escreveu ainda um ensaio, Théâtre et Pouvoir en Occident (2001), três textos em prosa, L’Apprentissage, Le Bain e Le Voyage à La Haye (2001) e vários artigos reunidos no volume Du Luxe et de l’Impuissance (1997). Encenador e co-fundador da companhia “Le Théâtre de la Roulotte” leva à cena, para além dos seus próprios textos, autores tão diversos como Kafka, Ionesco, Molière ou Wedekind. Morreu a 30 de Setembro de 1995.

Imprensa:

Lagarce escreve sem recorrer a efeitos, numa língua simples e bela. Usa poucas palavras, sempre justas, sempre as mesmas como em Racine. Alguém vai morrer. É uma questão de tempo. A escrita também é uma questão de tempo: aqui é a palavra que toca a finados.


Frédéric Ferney, Le Figaro


A língua de Lagarce é bela, simples, sem qualquer ênfase. Não recorre a imagens. Há uma economia que lhe confere um tom lírico, sugere mais do que diz. E há um ritmo, uma musicalidade da palavra.


Raymonde Temkine, Europe

 

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