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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Tatuagem / Inocência

ISBN: 978-972-8972-21-9
Dea Loher
176 pp.

€7,00

Tradução de José Maria Vieira Mendes

com o apoio de Goethe Institut

 

No espaço de dez anos, mudando em parte o género ou ligeiramente o estilo, é clara desde cedo a voz escrita de Dea Loher, que se mantém com uma firmeza e acuidade que não perde com o passar do tempo. Sem dúvida umas das vozes mais importantes da dramaturgia alemã e europeia contemporâneas, tal como o prova aliás a distinção com o conceituado prémio Bertolt Brecht.


TATUAGEM (1992)

Na disfuncional família Wucht, é o pai que manda. Senhor e protector, estende o seu poder com normalidade pelo corpo das duas filhas, acabando por engravidar a mais velha, Anita. Nessa altura, Anita conhece o jovem Paul Würde, florista, com quem tenta fugir deste ambiente sufocante, acabando por com ele ir morar e quebrando os laços com o passado. Mas um dia a irmã mais nova, Lulu, bate-lhe à porta, em busca de protecção, e a figura do pai reaparece.

Esta peça baseia-se numa história verídica de uma jovem rapariga que matou o pai depois de este ter saído da prisão cumprindo pena por a ter violado quando ela era criança.

 

Wolf do Forno
Eu espeto-te a minha agulha
na carne
uma e outra vez
uma tatuagem
com que tu ficas
a minha marca
para a vida toda
o sinal paterno
indelével

                                                                                                                                            

Inocência (2003)

Numa cidade portuária, Fadoul e Elisio, dois emigrantes clandestinos negros assistem ao afogamento (suicídio) de uma mulher no mar. Demoram a reagir, hesitam, temem pela sua situação de clandestinos e a partir deste momento terão de lutar contra sentimentos de remorso pela sua passividade.
Além destas figuras, outras passam por um espaço de desilusões, suicídios e coros tristes, numa cidade portuária cinzenta e vazia. Cruzando-se, as personagens tentam agir sobre a vida dos outros, mas sem sucesso. Procuram conforto ou companhia, desconfiam, e sobre todas elas prevalece o desespero.

 

ABSOLUTA - Os meus pais são os dois cegos. Queriam fazer-me à sua imagem e depois de me terem concebido fizeram um exame aos meus genes para garantirem que eu vinha ao mundo cega como eles; queriam que fôssemos iguais, eles, os pais, e eu, a filha; porque acham que vivem num mundo perfeito e por isso eu tinha de pertencer ao mundo deles e ser também perfeita.
FADOUL - E o que é que tu achas disso.
ABSOLUTA - Acho que têm razão, o mundo deles é perfeito e eu sou a filha perfeita que eles desejaram. Fi-los felizes.
FADOUL - Não gostavas de poder ver?
ABSOLUTA - É o que eu mais gostava na vida.
FADOUL - Eu vou ver por ti.
ABSOLUTA - O teu azul há-de ser diferente do meu, o teu céu diferente do meu.

                                                                                             

Dea Loher nasceu em 1964, em Traunstein, na Baviera. Estudou Filosofia e Literatura Alemã em Munique. Vive em Berlim. A sua primeira peça, Olgas Raum, recebeu o Prémio Hamburger Volksbühne em 1991, o Playwrights Award do Royal Court de Londres, em 1993 e foi produzida, em 1992, pelo Teatro Ernst-Deutsch de Hamburgo. Tatuagem recebeu, em 1993, o Prémio Goethe de Teatro. Em 1993 e 1994, Dea Loher foi considerada Melhor Dramaturga Emergente pela revista Theater Heute. Em 2005, recebeu o Prémio Else-Lasker-Schüler e, em 2006, o Prémio Bertolt-Brecht. Da sua obra teatral, destacamos ainda Leviathan, Fremdes Haus, Adam Geist, Manhattan Medea ou Unschuld. O seu teatro, muito representado na Alemanha, tem sido também apresentado no Brasil, França, Noruega, Inglaterra, Áustria ou Suiça.

 

 

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