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livrinhos de teatro - Artistas Unidos

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Teatro

ISBN:972-99450-9-8
Nuno Júdice
120pp.

€7,00

 

Cinco peças curtas inéditas.

"O que eu te queria dizer, o que eu queria que me dissesses"
Um Homem. Uma Mulher. Ele fala do que lhe queria dizer. Ela do que queria que ele lhe dissesse. No fundo falam do mesmo, de si, de tudo e de nada. Do que os aproxima e do que os afasta. Da simplicidade e da complicação das relações. Do amor. Do que é amar. De como dizer que se ama. De como se ama.

É a síntese do amor e do ódio, meu amor, e se te falo em ódio é só porque insistes em não tirar essa camisola, e em deixar-me andar à tua volta sem saber o que fazer, sem me conseguir descolar de ti, como se fosse o teu irmão siamês, mas ao mesmo tempo estando completamente separado de ti porque não consigo que o meu calor passe para dentro do teu frio, o que seria simples de fazer se deixasses que eu te abraçasse…

"Colóquio de amor"
Um Homem. Uma Mulher. Um amigo. O amor. O desejo. A posse. O que se pode dizer. O que se pode escrever. O que existe suspenso, não dizível, não palpável. A cabeça. O coração. O corpo. A literatura e a vida.


Não te quero meu; quero que estejas em mim, mas como se fosses de toda a gente, como se o mundo todo passasse por ti, obrigando-te a seres todo o mundo, até esse ponto em que te podes confundir com ninguém, como se o teu rosto fosse uma folha transparente através da qual vejo e leio todas as tragédias e todas as paixões que atravessam a vida de homens e mulheres, até ao limite do ser em que a fronteira do nada se torna perceptível.

"O crime perfeito"
Um homem fala ao telemóvel com uma mulher. Conta como manteve uma série de encontros num quarto de hotel com outra mulher, sabendo que ela os via pela janela da frente. Conta como se apaixonou por ela e que no último encontro disse à outra que não podiam mais continuar. A mulher com quem fala diz-lhe que a outra mulher nunca chegou a casa do último encontro com ele. Acusa-o. Diz que chamou a polícia.

É isso – posso dizer-lhe – o amor! O mais perfeito de todos os crimes – compreende agora?

"Área de serviço"
Pessoas numa área de serviço, à beira da estrada. Uma alucinação trágica, recheada com referências clássicas e iconografia portuguesa. Hamlet. Hambúrguer e ketchup. Motos e Polícias. Sexo e Morte. Drogas e Música. Vénus de Milo. Titanic. King Kong. Romeiro. Ninguém. Maria. Sebastião.

Estamos em Portugal, isto tinha de acabar mal!

"O regresso de fausto"
Dois vagabundos, como todos os vagabundos de hoje, gente escondida nas entradas dos prédios, nos vãos de escadas, nos corredores do metro, falam de si, da contagem do seu tempo, de terem ou não perdido o seu tempo, olham-se ao espelho para se encontrarem. Fausto e Mefistófeles encontram-se na rua. Fausto já andava há muito a pensar em telefonar a Mefistófeles. Fausto continua sem alma e confessa que a única forma que tem de imaginar que ainda tem uma é salvar as almas que andam perdidas, dando-lhes felicidade e roubando-lhes as almas. Vêem os vagabundos e Fausto faz-lhes uma proposta de um negócio…

2º Vagabundo
É a alma que ele pretende? Podes entregá-la, não te fará falta.

1º Vagabundo
Estás louco? Preciso dela, sempre a tive comigo, e nas alturas em que fazia mais frio, em que tinha fome, em que os cães corriam atrás de mim, a alma aquecia-me, dava-me força para correr, ensinava-me o caminho nos terrenos baldios, até aos muros que eu saltava para me ver livre de tudo o que me perseguia. E se ficar sem alma, se um dia chegar ao último limite, onde irei encontrar recursos para sobreviver? Ao menos, com a alma, poderei entrar numa casa de penhores, e com o que me derem por ela resistirei umas semanas, até arranjar o dinheiro que me permita resgatá-la.

Biografia:

Nuno Júdice
Nasceu em 1949, na Mexilhoeira Grande, Algarve. Formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa. É Professor Associado da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em 1989 com uma tese sobre Literatura Medieval. Tem publicado estudos sobre teoria da literatura e literatura portuguesa, bem como algumas antologias e colabora regularmente em jornais e revistas com críticas de livros e crónicas.
Colaborou em acções de divulgação cultural, como as "Letras Francesas" (1989), e organizou a "Semana Europeia de Poesia no âmbito de Lisboa Capital Europeia da Cultura"(1994). Foi comissário para a área da "Literatura de Portugal como país-tema da 49ª Feira do Livro de Frankfurt" (1997).
É poeta e ficcionista. Publicou o seu primeiro livro de poesia em 1972. Recebeu os mais importantes prémios de poesia portugueses. Está representado em inúmeras antologias, tendo participado nos mais importantes festivais de poesia, como o de Roterdão e o de Medellin. Dirigiu a revista "Tabacaria" da Casa Fernando Pessoa até ao número 8.
Em 1997, foi nomeado Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e Director do Instituto Camões em Paris, cargos que exerceu até 2004.
Em teatro, foi tradutor de algumas peças, como "Sertório" de Corneille (editada na Relógio d´Agua) ou "A Ilusão Cómica" de Corneille (editada pelo Teatro Nacional São João) e tem editadas as suas peças "Antero – Vila do Conde" (& etc) e "Flores de Estufa" (Quetzal). Tem obras editadas na Venezuela, na Espanha, no México, na França, na Bélgica, na Suécia, na Dinamarca, na Holanda, no Vietname, na Itália, na Bulgária, em Israel ou na República Checa.

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