UM
CARVALHO
Um
homem perde a filha num acidente de carro. Agora nada é o
que é. É como se ele estivesse numa peça – mas
sem saber o texto ou as marcações. O homem que ia a
guiar o carro é um hipnotizador. Desde o acidente, perdeu
o poder de sugestão. O seu número é um desastre.
Para ele, agora tudo é exactamente o que é. Pela primeira
vez desde o acidente, estes dois homens encontram-se. Encontram-se
quando o Pai se oferece como voluntário para ser hipnotizado.
E desta vez ele não sabe mesmo as palavras nem os gestos...
UM
CARVALHO é uma
peça para dois actores. Há um
Hipnotizador e um Pai. Este, no entanto, é representado
por um actor convidado que é diferente em cada espectáculo.
Chega à cena sem ter visto nem lido uma palavra da peça
em que entra... até estar lá dentro. Trata-se da
projecção de uma representação, dada
por um actor a outro, por um hipnotizador ao seu paciente, por
um público a uma pessoa.
Uma
peça arrojada e absurdamente
cómica sobre a perda, a sugestão e o poder da
mente.
UM
CARVALHO estreou
a 5 de Agosto de 2005, no Traverse Theatre de Edimburgo, com interpretação
de Tim Crouch e encenação de Tim Crouch, Karl James & a
smith, com desenho de som e música original de Peter
Gill, numa produção news from nowhere. Apresentado
em Lisboa, no Pequeno Auditório da Culturgest, de
15 a 18 de Junho de 2006, integrado no Festival Alkantara,
com
a colaboração dos actores Beatriz Batarda,
Cathy Naden, João Pedro Vaz e André Teodósio.
HIPNOTIZADOR
Minhas senhoras e meus senhores. Boa noite/ tarde. Eu chamo-me
(nome do actor que faz de HIPNOTIZADOR). Bem-vindos a (nome
do teatro).
Podes vir até cá acima para ao pé de mim,
por favor?
O
HIPNOTIZADOR convida o segundo actor a levantar-se do seu lugar entre
o público e a subir ao palco.
Minhas
senhoras e meus senhores. Este/ esta é X (nome do segundo actor). X vai representar
a peça esta noite. X não viu nem leu a peça.
X e eu encontrámo-nos há cerca de uma hora. Dei-lhe uma série
de sugestões. Sugeri-lhe que se divirta!
Mas a história é tão nova para X como para vocês.
INGLATERRA
Uma
peça para galerias
INGLATERRA é sobre um império de transmigração e
transplantação. É a história de uma coisa colocada
dentro de outra: um coração no corpo de outra pessoa, uma cultura
dentro da cultura de outro país, o teatro dentro de uma galeria, uma personagem
dentro de um actor, uma peça dentro da audiência.
INGLATTERA é um pictograma da procura de um novo coração.
Tim Crouch continua a explorar a natureza da experiência teatral, a comunicação
de uma ideia do actor ao público – e reciprocamente.
Representada por dois guias de uma exposição, INGLATERRA viaja
nas rotas do comércio de arte e de seres humanos. É sobre a doença
e a procura da saúde a qualquer custo. É uma excursão através
do espaço e das fronteiras: de uma galeria de arte para uma fábrica
de compotas, de Edimburgo para Osaka, de um hospital para um quarto de hotel. INGLATERRA
estreou a 4 de Agosto de 2007, na Fruitmarket Gallery, no Festival de Edimburgo.
Tem interpretação de Tim Crouch e Hannah Ringham, encenação
de Tim Crouch, Karl James e a smith e desenho de som de Dan Jones. Encomendada
pelo Traverse Theatre, é uma produção news from nowhere,
co-produzida pela Culturgest e o Warwick Arts Centre.
Apresentado em Lisboa, na Galeria 2 da Culturgest (durante uma exposição
da artista Frances Stark) de 26 de Fevereiro a 1 de Março de 2007.
Ela
pergunta se lhe pode dar um abraço.
ING - O quê?
INT - Tocar-lhe. Pergunta se lhe pode tocar.
Silêncio.
ING
- O que é que ela está a dizer?
O quê?
O que é que ela está a dizer?
O que é que ela disse?
O que é que ela disse?
Som
– do outro espaço – que
leva o público embora.
TIM
CROUCH
A sua primeira peça, o meu braço, foi lida pela primeira vez no
Franklin Stage em de 2002. Estreou no Traverse Theatre durante o Festival de
Edimburgo de 2003. Desde então, teve carreiras em Nova Iorque e Londres
e andou em digressão pela Europa e América do Norte. A adaptação
que Tim Crouch fez para a BBC Radio ganhou um cobiçado Prix Italia em
2005. O espectáculo foi apresentado em Lisboa, na Culturgest, a 2 e 3
de Julho de 2004 em colaboração com os Artistas Unidos, que editaram
o texto na Revista Nº 10.
A peça seguinte, um carvalho, estreou em Edimburgo no Verão de
2005 e recebeu um Glasgow Herald Angel Award. Esteve em digressão pela
Europa em 2006 (com passagem pela Culturgest) e terminou o ano com uma carreira
Off Broadway, em Nova Iorque. Pela sua interpretação nesta peça,
Tim Crouch recebeu o prémio de Melhor Actor no Festival de Brighton,
em 2006.
INGLATERRA estreou em Agosto de 2007 no Fringe Festival de Edimburgo, onde
recebeu três prémios: um Fringe First, um Herald Archangel e um Total Theatre
Award. Está também publicada nos Oberon Books.
Desde 2003, completou igualmente uma trilogia de encomendas shakespeareanas
para um público jovem, feitas pelo Festival de Brighton: i caliban, i peaseblossom
e i banquo. Em conjunto, as peças a partir destas três personagens
secundárias chamam-se fairymonsterghost. A encomenda que Crouch fez para
o Serviço Educativo do National Theatre, shopping for shoes, esteve em
digressão no Reino Unido, foi montada companhia escocesa Visible Fictions
e recebeu em 2007 o Brian Way Award. Tim Crouch escreveu ainda Kaspar The
Wild para o Theatre Royal de Plymouth e o Polka Children’s Theatre.
Mais informações em www.newsfromnowhere.net .
|