Edição apoiada
pela Embaixada da Grécia. Tradução realizada no âmbito
do Atelier Européen de la Traduction / Scène Nationale
d’Orléans com a participação da União Europeia
– Comissão Educação e Cultura – Programa Cultura
2000.
Em A Vertigem dos Animais
antes do Abate três anónimas
personagens põem mãos à obra na execução
de uma tarefa tão sinistra como enigmática. Entretanto,
a sedutora Milítsa consegue separar Nílos e Fílon,
dois amigos de infância que nunca se tinham separado...
Morro
como País é um curto texto que, numa apoteose
orgástica
da palavra, nos dá a ler a morte física e espiritual
de um país vencido (a Grécia da “ditadura dos coronéis”),
figuração trágica (numa espécie de
amálgama
de todas as perversões e subversões) de uma outra
morte muito mais radical, a de todos os valores da Humanidade e
do próprio
Homem.
Procedimentos de Regularização
de Diferenças é uma
obra que põe em cena uma situação triangular
(três personagens: duas mulheres e um homem) em que as
relações
humanas, despojadas de toda e qualquer intervenção
e referência do exterior, se desenrolam no incontrolável
dos desígnios e no desconhecido das suas consequências,
numa racional e desenfreada tentativa por parte das três
personagens para evitar o inevitável. Jogo cruel de amor
e ciúme que leva ao esgotar de todos os limites.
O. I.
H. (Odisseu, Ítaca, Homero) é um tríptico
constituído por três monólogos que, apesar
da diferença da personagem que toma a palavra em cada
um deles (no primeiro, Odisseu, no segundo Ítaca, no
terceiro um homem muito idoso) se articulam pela existência
de elementos comuns que têm que ver tanto com a temática
(a identidade, o nome, a Pátria, o tempo, a tradição,
o sexo), como com uma específica discursividade (um
discurso ritmicamente encadeado). Daí resulta que estes
monólogos,
não tendo sido inicialmente concebidos pelo dramaturgo
como um tríptico, constituam, em última instância,
uma unidade inseparável.
José António
Costa Ideias
Dimítris Dimitriádis nasceu em 1944, em Salónica,
na Grécia. Fez estudos de teatro e de cinema, em Bruxelas,
de 1963 a 1968. Aí, em 1965-66, escreve a sua primeira
peça, O Preço da Revolta no Mercado Negro,
levada à cena, em 1968, no Théâtre de
la Commune d’Aubervilliers, com encenação de
Patrice Chéreau.
Em 1978 foi publicada a sua primeira narrativa, Morro
como País; em 1980, uma primeira série poética
intitulada Catálogos 1-4; em 1983, outra peça
de teatro, A nova Igreja do Sangue. Seguem-se A
Oferenda - A Humanoidade, Preâmbulo a um Milénio (ficção
narrativa, 1986), Catálogos 5-8 (poesia, 1986), A
Elevação (teatro, 1990), A Desconhecida
Harmonia do Outro Século (teatro, 1992), Catálogos 9,
As Definições (poesia, 1994), O
Princípio
da Vida (teatro, 1995, levado à cena, nesse mesmo
ano, por S. Lazarídis, no Teatro do Sul, na Grécia), Oblívio e mais Quatro Monólogos (2000, o monólogo
Oblívio foi encenado em Paris, no Petit-Odéon,
por Jean-Christophe Bailly; em 2001 e no Teatro de Bobigny,
por Anne Dimitriadis; em 2002. Em Atenas, estreou no Teatro
Attis, dirigida por Theodor Terzópulos), A
Vertigem dos Animais antes do Abate (2000, teatro, peça levada à cena
no Teatro do Sul por G. Churvardas no mesmo ano), Catálogos
10-12 (poesia, 2002) , Humanoidade 1 – Um
Infindável
Milénio e Humanoidade 7 ¬– Um Infindável
Milénio (ficção narrativa, 2002, Prémio
Nacional de Romance, na Grécia, em 2003), Procedimentos
de Regularização de Diferenças (2003,
teatro, representada no Teatro do Sul, com encenação
de Guiórgos Lanthimos).
Em 2003, Morro Como País foi representado no Théâtre
du Rond-Point, em Paris, com encenação de Yannis
Kokkos; em Florença, no Teatro della Limonaia, foram
apresentadas Morro como país e A
Vertigem dos Animais antes do Abate.
Dimítris Dimitriádis traduziu inúmeros
autores, de Genet a Koltès. É desde 1980 colaborador
da Edições Agra, em Atenas, editora responsável
pela publicação da maioria das suas criações
literárias e traduções.
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