
Agostinho da Silva (Porto, 1906-Lisboa, 1994) é uma das mais originais figuras da cultura portuguesa deste século. Tendo estudado Filologia Clássica, frequentou a Sorbonne e o Collège de France, em Paris, o Centro de Estudos Históricos de Madrid, e colaborou em publicações relevantes na altura, como foi a Seara Nova. Quando, no ano seguinte a ter sido preso pela Polícia Política no Aljube (1943), foi excomungado pela Igreja Católica, decidiu partir para o Brasil, onde desempenhou funções importantes no domínio da investigação histórica, sendo mentor e docente em universidades brasileiras, do Uruguai e da Argentina. Regressou a Portugal em 1969.
Dele se conta um episódio peculiar: ao recusar-se a assinar a declaração, vigente durante o Estado Novo, que obrigava os funcionários públicos a garantir que não pertenciam a nenhuma sociedade secreta – e ele não pertencia realmente a nenhuma –, foi banido do ensino oficial, onde leccionara dois anos. Passou, necessariamente, a leccionar no ensino particular e dar explicações privadas. Mário Soares foi um dos seus alunos.
Herta Teresinha Joan, inicialmente publicada em 1953, foi a sua primeira obra de ficção: «Resolvi aproveitar estas curtas férias de Portugal para pôr em ordem alguns dos papéis que fui acumulando e entre os quais se contam estes três capítulos do que deveria, para ser verdadeiro, denominar Memórias; não o faço, porém, por dois motivos: em primeiro lugar porque isso exigiria sequência cronológica, o que me parece ir contra a unidade de cada um dos episódios: em segundo lugar, porque de Memórias o que me interessa mesmo é apenas a lembrança de pessoas que de qualquer modo me passaram na vida, ou, para ser mais exacto, em cuja vida eu, de qualquer modo, passei. Porque, no fim de contas, foi a deles que realmente valeu.»
In «Nota Prévia à 1ª Edição»
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