Joaquim
Maria Machado de Assis nasceu em 1839, no Rio de Janeiro, onde viveria
sempre até à morte em 1908. Pouco se sabe da sua infância,
mas vários factores concorreram para criar dele a ideia do indivíduo
excepcional destinado cedo a ser esmagado pelo sofrimento e pela discriminação:
os pais pobres – ele filho de mulatos forros, pintor de profissão,
ela uma lavadeira açoriana –, a epilepsia, a gaguez, até a
timidez, decerto representavam enormes obstáculos numa sociedade
assente na escravatura e na discriminação racial. No
entanto, parece que as dificuldades e os sofrimentos do jovem Machado
de Assis não foram muito avassaladores, ou pelo menos não
o impediram de aprender, bem e depressa, e de cedo se orientar na carreira
literária com sucesso aparentemente fácil. Publicou o
primeiro poema em 1855, no jornal A Marmota Fluminense. Ingressou como
aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Foi revisor de
provas e redactor do Diário do Rio de Janeiro. A colocação
no Ministério de Comércio e Indústria iniciou
uma carreira segura e monótona de funcionário público,
que manteve toda a vida.
Como jornalista e homem de letras, Machado de Assis conquistou cedo enorme
reputação e até autoridade no Rio de Janeiro. A sua
actividade literária, que se iria exercer em praticamente todos
os géneros – romance, conto, poesia, teatro, crítica
literária e teatral, crónica – teve duas etapas, antes e
depois de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881).
Depois do Brás Cubas, apareceriam quatro romances e cinco reuniões
de contos que contêm dezenas de obras-primas do género em
qualquer língua. Já em vida considerado o maior escritor
brasileiro de sempre, fundou em 1896 a Academia Brasileira de Letras, de
que foi o primeiro presidente.
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