
«Embora pouco ou nada se saiba de preciso sobre a vida do
autor de Os Doze Césares, parece, efectivamente, que teria nascido
na época de Vespasiano e que seu pai servira na décima
terceira legião romana como tribuno augusticlavo. Habilitado,
pelas condições do seu nascimento, a seguir a carreira
das armas e das letras, como era então costume em Roma, preferiu
esta àquela. E, de facto, foi um homem de letras aplicado e laborioso.
Através das cartas de Plínio o Moço, seu protector,
depreende-se que Suetónio era casado e pai de numerosos filhos. É Plínio
quem o anima a abraçar o mister de advogado e de retórico.
Mas o seu principal labor encontra-se nas numerosas obras literárias
e históricas que escreveu. Quase todas desapareceram, e, entre
as poucas que chegaram até nós, conta-se a vida dos Gramáticos
e Retóricos Ilustres. Graças à nomeada que ganhou
com os seus trabalhos, veio a conquistar a amizade do imperador Adriano,
que fez dele seu secretário ou epistolarum register. Nessa situação
pôde Suetónio consultar os arquivos do Estado e, inclusivamente,
percorrer a correspondência de Augusto.
Malquistado com o imperador por causa da imperatriz Sabina, caiu em desgraça
junto de Adriano e foi, depois disso, no retiro a que então se
votou, que se consagrou a escrever a vida de Os Doze Césares.»
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