Primeiro,
Sá-Carneiro teve sobretudo o génio de querer ter génio, pois a sua
ânsia de Novo apenas encontrou formas recolhidas da tradição, de Nobre
a Pessanha, tornadas mais intensas pelo luxo das imagens e pelo desfazer
anti-romântico do Eu sentimental - no que acompanhou o seu grande amigo
Pessoa.
Desse
caos decadente emergiu um último Sá-Carneiro, que desde Orpheu 2
escreve alguns dos poemas mais dilacerantes da língua, num tom de singularidade
radical, fulgurante e excessivo.
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