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Três homens num barco

ISBN: 978-972-795-194-9
Jerome K. Jerome
252 pp.

€7,00

tradução de Luísa Feijó    



 

O mundo tem sido muito generoso com este livro. As vendas da edição inglesa ultrapassaram o milhão e meio de exemplares. […] Foi traduzido, julgo, para todas as línguas europeias e para algumas asiáticas. Trouxe-me milhares de cartas de gente jovem e de gente velha; de gente sã e de gente doente; de gente alegre e de gente triste. […] Se as cartas fossem a única consequência deste livro, ainda assim eu estaria contente por o ter escrito. Guardei algumas páginas enegrecidas de um exemplar que me foi enviado por um oficial colonial da África do Sul. Retiraram-nas da mochila de um camarada morto em Spio Kop. Não existe melhor testemunho. Resta-me explicar o mérito que justifica um sucesso tão extraordinário. Sou incapaz de o fazer. Já escrevi livros que me parecem mais inteligentes, outros que me parecem mais engraçados. Mas é como autor de Três homens num barco (já para não falar do cão) que o público teima em lembrar-se de mim. Alguns críticos insinuaram que a vulgaridade do livro, a sua completa falta de humor, explica o sucesso junto do público – mas, desta vez, pressinto que isso não decifra o enigma. A arte pode ser má e ter sucesso durante algum tempo junto de algum público; mas não vai alargando o seu círculo durante quase meio século. Cheguei à conclusão de que, seja por que razão for, colho eu os louros de ter escrito este livro. Isto, se é que o escrevi – porque, na verdade, mal me lembro de o ter escrito. Lembro-me apenas de me sentir muito jovem e absurdamente contente comigo mesmo, por razões que só a mim dizem respeito. Era Verão, Londres é belíssima no Verão. Sob a janela eu tinha uma cidade de fadas coberta por um véu dourado de neblina, pois o local onde trabalhava era muito alto, acima das chaminés; à noite as luzes brilhavam ao fundo, e eu olhava lá para baixo como se estivesse a olhar para a caverna das jóias de Aladino. Foi nesses meses de Verão que o escrevi; pareceu-me ser a única coisa que podia fazer.

Jerome K. Jerome
(1859-1927).

 

 

 
 
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