O jovem que passou esses meses quentes de 1956 nas Filipinas era alguém que,
com muita ansiedade e alguma descrença, procurava fixar no papel o poeta
que acreditava ser [...].
[...] os meses passados nas Filipinas foram de agitação e perturbação, de
convívio com pessoas de diversos meios para diferentes modos de
relacionamento, de desafio pelos seus actos a um modo de viver e entender
a vida baseados por vezes no colonialismo económico e cultural, pela sujeição
aos interesses de uma minoria que goza de privilégios sustentados pelo
trabalho e a pobreza dos restantes; [...] aí o poeta conheceu a plenitude
erótica, o entusiasmo da descoberta de paisagens e costumes, o trabalho
em que algumas vezes colaborou não sem ‘ressentimentos contra a classe
em que nasci’ [...].