Assim
como a sua inspiração não vinha do alto, mas dos abismos, assim também
ele tinha que descer sempre mais fundo, em direcção às profundezas
da terra, e lá chegado voltar a fechar-se, como o encarcerado
que no mais fundo da sua alma ele era.
[...]
Kafka,
o mais espiritual dos homens, esteve toda a vida obcecado com
o corpo. [...] Era muito
raro que tomasse a palavra por iniciativa própria: talvez
lhe parecesse uma insuportável arrogância subir
sem ser chamado ao palco da vida.