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A pomba apunhalada - Proust e a Recherche

Citati, Pietro

€25,00

 

 

Poucos seres humanos desejaram a felicidade com a veemência, a ternura, a embriaguez febril do adolescente Marcel Proust. Provavelmente, só o jovem Tolstoi, a quem estava ligado por estranhas afinidades e semelhanças, procurou a felicidade com a mesma dolorosa e irreprimível ansiedade: queria que a vida continuasse a ser o que era, apenas um instante - mas que transpusesse de imediato um limite, convertendo-se num misterioso além, numa epifânia do invisível e do além-tempo. O jovem Proust foi feliz, ou pelo menos disse, contou e imaginou que o foi. Era feliz porque um raio de sol brilhava, porque cheirava o perfume de uma flor, porque amava um rapaz ou uma rapariga, porque amava a mãe, porque lia um bom livro, porque descobria as grandes leis da existência - e sobretudo porque as coisas são belas por serem o que são e a existência é uma beleza calma que se derrama à sua volta.

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