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VENCEDORA DO PRÉMIO SÃO PAULO DA LITERATURA 2008
Tatiana Salem
Levy nasceu em Lisboa mas mudou-se para o Rio de Janeiro com nove meses
de idade. É judia, brasileira, portuguesa, possui ascendência
turca e tem apenas 28 anos. Para além da óbvia multiculturalidade
que envolve esta “autora revelação”, aquilo que mais surpreende é a
força do romance autobiográfico a que deu o título
de A chave de casa. Nunca poderíamos supor que uma jovem adulta,
de aspecto frágil, pudesse escrever de forma tão crua ao
ponto de provocar uma sensação de quase claustr ofobia nos
seus leitores.
Audaciosa, Tatiana Salem Levy, sobrepõe uma narrativa de viagem
a uma história de paralisia. Um corpo que percorre a Turquia na
esperança de encontrar uma casa de família e um corpo que
jaz e sofre numa cama. Um paralelo tão contraditório como
as confissões que lemos; confissões sobre um amor que vai
sobrevivendo graças a instantes de delírio sexual, em que
tudo é permitido, aliados a momentos de medo. E, ao mesmo tempo,
por entre narrativas ficcionais e memorialísticas, a figura maternal,
a mãe que se ama, a mãe que já morreu mas que se quer
ressuscitar, a mãe de que se precisa.
Conto
(crio) essa história
dos meus antepassados, essa história das imigrações
e suas perdas, essa história da chave de casa, da esperança
de retornar ao lugar de onde eles saíram, mas nós dois (só nós
dois) sabemos ser outro o motivo da minha paralisia. Conto (crio) essa
história para dar algum sentido à imobilidade, para dar uma
resposta ao mundo e, de alguma forma, a mim mesma, mas nós dois
(só nós dois) conhecemos a verdade. Eu não nasci assim.
Não nasci numa cadeira de rodas, não nasci velha. Nenhum
passado veio me assoprar os ombros. Eu fiquei assim. Fui perdendo a mobilidade
depois que o conheci. Depois que o amei: depois que conheci a loucura através
do amor, o nosso. Foi o amor (excedido) que me tirou, um a um, os movimentos
do corpo. Que me deixou paralisada nessa cama fétida de onde hoje
não consigo sair.
A chave
de casa, Tatiana Salem Levy
A chave
de casa, publicado no Brasil pela editora Record, inaugura a Colecção
Sabiá dos Livros Cotovia que pretende divulgar os melhores autores
brasileiros da contemporaneidade. Assim, continuaremos a publicar aqueles
que já consideramos como “nossos autores”, Adélia Prado,
Bernardo Carvalho, Sérgio Sant’Anna, Rubens Figueiredo, Milton
Hatoum, Raduan Nassar, Samuel Rawet e André Sant’Anna, e prosseguiremos
na senda de dar a conhecer o melhor que se publica no Brasil.
A chave de casa está traduzido para espanhol e francês.
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