LIVROS

[Curso Breve de Literatura Brasileira]

[VOLTAR]

As aves que aqui gorjeiam - A poesia do romantismo ao simbolismo

ISBN: 972-795-112-0

A.V.V

372 pp.

€30,00

Antologia organizada e apresentada por Paulo Franchetti

 

 

 

Autores presentes na antologia: Gonçalves Dias, Bernardo Guimarães, Álvares De Azevedo, Sousândrade, Casimiro De Abreu, Fagundes Varela, Castro Alves, Machado de Assis, Alberto De Oliveira, Raimundo Correia, Bernardino Lopes, Olavo Bilac, Cruz e Sousa, Alphonsus De Guimarães, Augusto Dos Anjos, Pedro Kilkerry.

 

 

Mula-sem-cabeça

Por um bispo eu morria de amores,
Que afinal meus extremos pagou;
Meu marido, fervendo em furores
De ciúmes, o bispo matou.

Do consórcio enjoei-me dos laços,
E ansiosa quis vê-los quebrados,
Meu marido piquei em pedaços,
E depois o comi aos bocados.

Entre galas, veludo e damasco
Eu vivi, bela e nobre condessa;
E por fim entre as mãos do carrasco
Sobre um cepo perdi a cabeça.

Bernardo Guimarães

 

Imprensa

No volume que organiza, Paulo Franchetti apresenta-nos cerca de um século de poesia brasileira, sinalizado pelas estações obrigatórias do romantismo, do realismo, do parnasianismo e do simbolismo (ao todo, estão representados 16 poetas). Se a «revolução» romântica é, nas literaturas europeias, a entrada na modernidade, no Brasil (que se torna independente em 1822), o projecto romântico coincide com a reivindicação de um nacionalismo literário que lança as bases para a construção de uma literatura própria. A criação de uma literatura nacional segue a par da nação, o programa literário encontra a sua plena justificação no plano político. Documento fundador deste acto é o manifesto que Gonçalves Magalhães publicou em 1836, «Ensaio sobre a História da Literatura do Brasil». Este momento inicial é o de uma identificação entre nacionalismo e antilusitanismo, como mostra Paulo Franchetti na sua longa e metódica apresentação que termina com esta síntese interpretativa: «O imperativo romântico, que atribui ao escritor brasileiro a dupla missão de manifestar a especificidade requerida pelo ideário nacionalista e de construir a instituição 'literatura', pautará todo o período aqui compreendido e atravessará ainda o século XX». Encontramos aqui uma chave fundamental para lermos a poesia brasileira de um século, em si mesma e na sua relação com os sistemas das literaturas europeias.
Machado de Assis é um dos poetas que comparece nesta antologia. Mas quando, dos seus exercícios poéticos, passamos para a prosa dos seus romances e dos seus contos, acedemos a um plano muito mais elevado da escrita literária.

António Guerreiro, in Expresso, 13.08.05

  
.
LIVROS
.


© 2004 Livros Cotovia. Todos os direitos reservados.
Web-design Copis