Aqui se desvenda o amor,
o modo como ele foi vivido, mas, sobretudo, o modo como ele foi cantado;
ou seja, aqui se olha o amor, enquanto tema central de um certo fazer
poético, e as suas diversas manifestações, tantas,
digamos, quantas as formas de amar.
Aqui se questiona, portanto, o diálogo entre sexos. Porque, na maior
parte dos casos, é disso que se trata, quando falamos de amor: o
diálogo entre o homem e a mulher, onde o coração,
sede imaginária dos sentimentos e dos afectos, e o corpo, espaço
onde eles fisicamente se materializam, ocupam, um e outro, lugar de primordial
destaque. Mas não necessariamente o diálogo entre sexos diferentes;
ontem, como hoje, o amor, mesmo nessa dimensão onde sentimentos
e corpo se misturam, não se confina ao encontro entre masculino
e feminino.
O desejo ou a sedução, com suas múltiplas técnicas,
o contrato conjugal ou a infidelidade, com seus mil artifícios,
a paixão, mas também o ódio, tudo isso celebraram
os poetas latinos.
Aqui se pode ver, no fim de contas, quão antigos e repetidos são
os caminhos do amor.
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