|
Em sentido muito lato, chama-se faceto ao que não é sério: um ensaio pode
ser faceto sem nada perder de essencial? Sendo análise, averiguação, exame,
indagação, procura, o ensaio ganha se além disso for brincalhão ou
galhofeiro, gozador ou jocoso, pilhérico ou zombeteiro?
Os textos que compõem este livro acreditam no ensaio genuinamente faceto e,
em modalidades diversas, ilustram a possibilidade de o estruturar segundo um
princípio de galhofa. A defesa do sentido de humor é hoje uma trivialidade.
Mas hoje também, uma batalha provavelmente perdida: a “opinião”, que se
basta em ser plausível, prefere o sisudo e aliás confunde-o com
profundidade. O humor então prejudica, porque divide, corrói evidências,
sugere alternativas, abala familiaridades. Daí que o ensaio, algumas vezes,
só se torne ensaio por meio de facécia.
|