O ensaio presente é,
como o título indicia, uma incursão nos domínios
da percepção médica, em particular, uma tentativa
de, à luz de um estudo de caso retirado do cânone da psiquiatria
forense portuguesa, reflectir sobre as ordens do visível e do
invisível na produção de um diagnóstico psiquiátrico
e, consequentemente, sobre o modo como se faz a passagem da acção,
da responsabilidade para a irresponsabilidade, isto é, do livre-arbítrio
para o determinismo. Trata-se assim de um ensaio que colhe ensinamentos
em vários domínios que vão da
história e filosofia da medicina à antropologia social.