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Ensaísta profícuo, poeta notável, prosador de excelência, académico brilhante,
polemista nato, Jorge de Sena lamentou não ver publicada em Portugal esta
sua História da Literatura Inglesa — o que só aconteceu em 1988, nos Livros
Cotovia (a primeira edição é brasileira, de 1963).
Nenhuma
cultura literária que se deseje esclarecida pode dispensar-se de um
conhecimento pertinente das superestruturas intelectuais da civilização
britânica, uma das mais importantes na elaboração histórica do mundo em que
vivemos.
Foi sempre a Inglaterra
muito mais ‘continental’, e muito mais influenciadora da e influenciada
pela
cultura do continente europeu do que o imperialismo vitoriano e a
hostilidade que ele suscitou quiseram fazer crer. [...] poucas literaturas
haverá em que o
filisteu e o fariseu vivem tão inocentemente escondidos no fundo das almas
mais literariamente revolucionárias. Evidente que há e houve sempre de tudo,
e que, felizmente, a maior parte das grandes figuras literárias da
Grã-Bretanha está muito longe de poder servir, individualmente, como modelo
de virtude.
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