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Publicado pela primeira
vez em Itália, em 1978, e no mesmo ano, pouco mais tarde, em Portugal, O
Silêncio
dos poetas volta finalmente às livrarias portuguesas
pelas mãos da Cotovia. Esta edição aparece valorizada por dois novos
estudos: Reflexões sobre a função da arte literária e A dimensão
poética das línguas. A uni-los, de acordo com o próprio Alberto Pimenta,
“uma ideia central, a de que a expressão estética exige uma
apreensão estética.” Um livro que agitará por certo as águas da crítica
literária e virá relançar leituras e olhares sobre a poesia.
Escreve, a propósito desta obra, Carmen M. Radulet, professora
universitária italiana: “O Silêncio dos Poetas... estranho título
para uma obra de exegese literária elaborada por um poeta... título
estranho, todavia, só para quem desconhece o percurso espiritual e criativo
do Autor, já que este texto nasce através de uma reflexão complexa de
carácter teórico, iniciada na Alemanha em fins dos anos 60, e aperfeiçoada
depois durante um confronto a nível académico com os investigadores
italianos (a obra foi efectivamente publicada primeiro em italiano).
Se a produção poética de
Alberto Pimenta, prevalentemente originada no seu geral inconformismo, não
foi sempre compreendida pelo público amplo, a sua obra teórica, e sobretudo O Silêncio dos Poetas, encontrou facilmente o favor dos críticos
literários. Talvez por esta razão, para obrigar o mundo literário a
reflectir, não só sobre as teorias, mas antes de mais sobre a própria
criação literária, Alberto Pimenta chegou ao ponto de, provocatoriamente,
queimar este seu livro durante um happening. Agora, como a fénix
renascida, no Centenário de Th. W. Adorno (teorizador que lhe esteve e
continua a estar mais próximo), é novamente proposta ao público em forma
substancialmente igual, mas enriquecida com dois estudos, um deles recente,
que oferece novos meios para a compreensão do labor poético em geral, e do
desenvolvido pelo Autor durante estas últimas décadas.”
A arte tem também
o carácter duplo dos símbolos: é e representa. Mas sucede que o que
representa tem o interesse específico de ser representado do modo que é e
não doutro. A análise feita a partir de um interesse de conhecimento
nivelador do método de apreensão de toda a espécie de ‘mensagem’ ou
‘discurso’ só serve os interesses daqueles a quem a arte serve mas não
interessa como arte.
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