Pascal indignava-se com as
pequenas discussões dos jesuítas, dos seus distinguos e das suas mesquinhices.
E não são pequenas! A ciência média, o probabilismo, etc., et cetera.
Mas precisam de brincar à liberdade. Dizem: In necessariis unitas, in
dubiis libertas, in omnia charitas. No que é necessário, unidade; no
duvidoso, liberdade; em tudo, caridade! E para brincar à liberdade aumentam
o campo das dúvidas àquilo que não o é. Há que ler a Metafísica do Padre
Suárez, por exemplo, para vermos um homem que se entretém a partir em
quatro um cabelo, mas no sentido longitudinal, e fazer depois uma trança
com as quatro fibras. ou quando fazem estudos históricos - aquilo a que
eles chamam história, pois não costumam passar de arqueologia -, entretêm-se
a contar os pêlos do rabo da Esfinge, para não verem os seus olhos, o
seu olhar. Trabalho de embrutecer-se. Quando um jesuíta - pelo menos,
repito-vos, se for espanhol -, vos disser que estudou muito, não acrediteis.
É como se um deles, porque faz todos os dias 15 quilómetros de percurso
dando voltas ao pequeno jardim da sua residência, vos dissesse que viajou
muito. |