
Estou, admito, muito
mais interessado naquilo que os outros poetas têm escrito sobre
poesia do que naquilo que críticos que não são
poetas têm dito acerca dela. Sugeri também que é possível
separar a crítica literária da crítica
com outras bases, e que os juízes sociais, religiosos e morais
não podem ser
totalmente excluídos. Que podem, e que o mérito literário
pode ser avaliado em completo isolamento, é a ilusão
daqueles que acreditam que o mérito literário por si
só pode justificar a publicação
de um livro, que podia de outro modo ser condenado por razões
morais. Todavia, aquilo que obtemos mais próximo da crítica
pura é a crítica
de artistas que escrevem acerca da sua própria arte; e volto-me
em busca disto para Johnson, e Wordswoth, e Coleridge. (O de Paul
Valéry
é um caso especial.) Noutros tipos de crítica, o historiador,
o filósofo,
o moralista, o sociólogo, o gramático pode desempenhsr
um grande papel; mas na medida em que a crítica literária é puramente
literária,
creio que a crítica de artistas que escrevem acerca da sua
própria
arte é de maior intensidade e tem mais autoridade, embora
a área
de competência do artista possa ser muito mais limitada. Sinto
que eu próprio falei com autoridade (se a expressão
não sugere arrogância)
unicamente acerca daqueles autores - poetas e muito poucos prosadores
- que me influenciaram, ainda mereço séria consideração;
e que sobre autores de cuja obra não gosto, os meus pontos
de vista podem - para não dizer mais- ser altamente discutíveis.
E lembrar-lhes-ia novamente, a concluir, que dirigi a atenção
para a aminha crítica literária enquanto literária,
e que um estudo a respeito das minhas convicções morais, políticas,
sociais ou religiosas, e dessa grande parte da minha escrita em prosa
que se relaciona directamente com estas convicções, seria uma prática
de exame de consciência completamente diversa. Tenho, contudo, esperança
de que aquilo que disse hoje possa sugerir razões pelas, à medida
que o crítico envelhece, os seus textos críticos podem ser menos
inflamados pelo entusiasmo, mas animados por um interesse mais vasto
e, tem-se esperança, por mais sabedoria e humildade.
Reúnem-se neste volume
20 textos que, de 1917 a 1962, cobrem praticamente todas as fases da
vasta actividade
crítica de Eliot. De reflexões sobre o verso livre à crítica
e aos poetas metafísicos, passando por Hamlet, Baudelaire,
Wordsworth, Yeats, Poe Valéry e Dante.
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