Uma boa desculpa para passar
ao lado de livros sobre a Cultura Clássica é dizer que
não se sabe grego antigo, que são coisas para especialistas,
que já passaram milhares de anos. A desculpa resume-se numa frase:
“Essas coisas já não nos dizem nada”.
Não anda longe
dessa ideia Simone Weil quando constata que: “Os belos poemas [que
se escreviam na Grécia] já só são lidos por
pessoas que se especializam nesse estudo, e é pena que assim
seja. Porque esses velhos poemas (...) podem interessar toda a
gente. Seriam
até bem mais comoventes para o comum dos homens, os que
sabem o que é lutar e sofrer, do que para as pessoas que
passaram a vida entre as quatro paredes de uma biblioteca".
A fonte grega reúne
ensaios, artigos e comentários a mais de dez autores gregos.
O mais antigo destes textos foi escrito em 1939; todos os outros foram
escritos nos quatro anos seguintes. Na sua maioria, o que aqui se colige
são anotações sobre a Grécia Antiga redigidas
em cadernos, durante a Segunda Guerra Mundial, por uma mulher judia
que viveu a
Guerra na primeira pessoa: para além da fuga para a América, em
1942, fugindo ao extermínio nazi, à data da sua morte, em 1943,
a pacifista Simone Weil – que combatera junto dos republicanos, sem empunhar
armas, na Guerra Civil de Espanha – integrava o gabinete da Resistência
Francesa, em Londres.
É justamente neste volume que se encontra uma das maiores obras-primas
alguma vez
escritas sobre a Ilíada de Homero (o ensaio “A Ilíada ou o poema
da força”), texto que reflecte precisamente sobre o lugar da guerra e
da força no poema e na vida. Por todas estas razões, será fácil
adivinhar a única pergunta que há a fazer:
Será que estas coisas já não nos dizem nada?
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