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A Guerra em debate

Walzer, Michael

€20,00

   

A ética da guerra tem em Michael Walzer um dos seus mais eminentes pensadores. Professor de Ciências Sociais no Instituto de Estudos Avançados em Princeton, EUA, autor de vários estudos sobre esta matéria, Walzer é reputado internacionalmente, também por tratar, numa prosa bastante acessível, questões de enorme complexidade. Mergulhando no cerne da problematização dos conflitos militares contemporâneos, e defendendo uma perspectiva moral da guerra, os ensaios agora reunidos (escritos num período de intenso debate acerca da intervenção armada, entre 1980 e 2003) agrupam-se em três secções: questões teóricas, como a guerra justa, a intervenção humanitária, a responsabilidade militar, o terrorismo; guerras concretas, como a primeira Guerra do Golfo, as guerras no Kosovo, no Afeganistão, em Israel e na Palestina, no Iraque; e a ideia de um futuro em que a guerra desempenhará um papel menos significativo nas nossas vidas.

Existem actos de agressão e actos de crueldade aos quais temos obrigação de resistir, se necessário pela força. Pensava que a nossa experiência com o Nazismo tinha posto cobro a este argumento particular, mas o debate continua –e, daí, as discordâncias sobre a intervenção humanitária que abordo nalguns destes ensaios. O recurso à força militar para acabar com a matança no Ruanda, teria sido, na minha opinião, uma guerra justa.

Perante o número de horrores recentes –massacres e limpeza étnica na Bósnia e no Kosovo, no Ruanda, no Sudão, na Serra Leoa, no Congo, na Libéria e em Timor-Leste (e, anteriormente, no Camboja e no Bangladesh) –fui-me tornando, pouco a pouco, mais disposto a apelar a uma intervenção militar. Não descartei totalmente o meu preconceito contra a intervenção, mas acho cada vez mais fácil ultrapassar esse preconceito. E, perante a experiência repetida da falência do estado, da reemergência de uma forma de política a que os historiadores europeus chamam ‘feudalismo bastardo’, dominado por bandos que se guerreiam e por futuros líderes carismáticos, sinto-me mais disposto a defender as ocupações militares duradouras, sob a forma de protectorados e de administrações territoriais, e a considerar a reconstrução de nações como uma parte necessária da política do pós-guerra.


 

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