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Nesta vida e nesta bem-aventurança
esteve Blanquerna até que as gentes daquela comarca fizeram grande
devoção por aquelas virtudes do altar de Santa Trindade que se encontrava
naquela capela. E pela devoção que nele tinham, vinham àquela capela
homens e mulheres que perturbavam Blanquerna na sua oração e contemplação.
E para que as gentes não perdessem a devoção que tinham naquele lugar,
hesitava em lhes dizer para não virem àquele lugar; e por isso Blanquerna
mudou a sua cela para um monte que estava a uma milha de distância
do lugar onde estava o diácono. E naquele lugar ele dormia e estava
e não queria ir à igreja em nenhuma hora em que houvesse lá gente,
nem queria que viesse nenhum homem ou mulher àquela cela para onde
se tinha mudado.
Assim vivia e estava Blanquerna eremita, considerando que nunca estivera
numa vida tão agradável e nunca tivera tanta disposição para exaltar
a sua alma em Deus. Tão santa vida era aquela que Blanquerna vivia,
que Deus o abençoava e encaminhava todos aqueles que tinham devoção
pelas virtudes daquele lugar onde se encontrava a capela; e o papa
e os cardeais e seus oficiais estavam melhor na graça de Deus pela
santa vida de Blanquerna.
Descendente de uma família
nobre de Barcelona, Ramon Llull [n.
1233(?) - m.1315(?)] frequentou a corte do Rei Jaime I de Aragão -
Barcelona, que abandonou para se dedicar à conversão dos Infiéis, percorrendo
os países mediterrânicos e africanos, pregando em terras muçulmanas
e expondo, perante papas e reis, as suas teorias e os seus projectos
de reformas e de cruzadas. Considerado como criador da língua literária
catalã, a sua obra abarca um conjunto de disciplinas muito diversas:
teologia, mística, filosofia, ciência, romance, poesia, pedagogia e
retórica. |