Há um
som que desapareceu das lides do Verão. Agudo e continuado,
era o guincho dos carros de bois com o feno, o gemer das rodas
no mecanismo lento das viagens para o palheiro, coro sem palavras
das cantadeiras,
eixo, pregos, rosetas, estadulhos, tudo junto e o mais que o s
bois puxavam com a força que às vezes lhes faltava
calando-se a ópera por instantes e voltando logo num começo
vagaroso de sirene. Vieram depois os tractores desafiar os modos
e as canseiras
dando outro ritmo e rendimento e desta e outras modernidades não
se cansam os elogios porque vale a vida ser vivida com conforto
que o houve sempre pouco ou nenhum em tempos que a memória
viva ainda tem. Foi-se a chiadeira e ficou a melancolia mas não
talvez naqueles que a suportaram por inteiro e desmedida nos dias
em que a pobreza era mesmo o não ter pão, coisa nenhuma.
Leonardo guardava o segredo.
Um dia apareceu o monge.
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