Primeira obra de ficção de
dois autores já conhecidos dos leitores mais atentos: professores
universitários especializados em literatura de língua portuguesa, tanto Abel
Barros Baptista como Gustavo Rubim têm diversos trabalhos críticos e
ensaísticos publicados e são sobejamente conhecidos nas suas áreas de
trabalho. Importa-se de me emprestar o barroco contém tanto de
paródia ao mundo universitário quanto de ensaio literário e antologia de
poemas. Escrito
num estilo peculiar,
bem-disposto e tão intrincado que desafia até o mais atento leitor de
policiais, Importa-se de me emprestar o barroco? questiona
brilhantemente algumas ideias dilectas do mundo académico, seja a de
reescrita (plágio, intertextualidade) – essa ‘paixão que inferniza os vivos
com uma caterva de mortos’ – seja o quase saturado tema do carpe diem
(a emergência do corpo na poesia?).
Começa com um ataque:
Aquela tarde de calor
em que me sentei, mesa emprestada, em direcção a certo conto de que só
faltava imaginar o fim, os começo e meio mais ou menos tecidos, caiu em
desgraça na minha lembrança, o quarto, o edifício, o mundo todo entraram
a girar, e eu perdi a compostura. Era o barroco.