
A primeira incursão
de Frederico Lourenço no humor satírico
Com desenhos de Richard de Luchi
A seguir aos diálogos mais literariamente perfeitos de Platão
(Protágoras e Banquete), a grande obra-prima da prosa grega é essa
jóia que dá pelo nome de Caracteres. Foi composta no século
IV antes de Cristo por Teofrasto, escritor natural da ilha de Lesbos, que
se estabeleceria em Atenas para estudar com Platão e Aristóteles;
consiste numa sequência de trinta caricaturas miniaturais em prosa,
que delineiam, em poucas palavras, toda uma personalidade com traço
certeiro, sarcástico e genialmente lacónico: O parolo, O
forreta, O pedante, O parlapatão, etc.
Frederico Lourenço, numa primeira incursão no humor satírico,
modernizou e aportuguesou os Caracteres de Teofrasto, compondo uma sequência
de tipos cómicos em número igual (30) aos do autor grego,
mas com personalidades contemporâneas: A pata brava, O poeta mundano,
O gay homofóbico, A política de direita, O monárquico
de esquerda, O médico filosófico, O surfista, O piroso, A
pintora chique, etc. Pediu a Richard de Luchi - cujo traço lembra
o de dois ilustres conterrâneos seus, Osbert Lancaster e Ionicus,
e que já colaborara com Frederico Lourenço na adaptação
para jovens da Odisseia - para ilustrar cada retrato.
Além de retratos “humanos”, os Caracteres de Frederico
Lourenço
incluem outros, zoomórficos, já que, como diz o povo português,
a muitos animais “só lhes falta falar” – ao passo que, no respeitante
a muitos seres humanos, “mais valia estarem calados”.
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