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Como
se o mundo não tivesse Leste, escrito em 1975,
publicado em 1977, reúne três textos curtos de ficção
situados na última fase do período colonial. O interesse
do relançamento deste livro (trata-se de uma 4ª edição
ainda que integralmente revista) reside muito no facto de revelar
já a presença do autor nos domínios de uma "auto-ficção" que
só seria retomada muito mais tarde com Os Papéis
do Inglês (Livros Cotovia, 2000), embora noutro dos seus
livros em prosa, Vou Lá Visitar Pastores (Livros
Cotovia, 1999) recorra também a essa modalidade bem como à criatividade
poética.
Ruy Duarte de Carvalho interveio nesta reedição procedendo a alterações,
acrescentos e cortes que por certo aguçarão a curiosidade dos leitores
mais atentos. Um livro que marcou e marca ainda
a história da literatura africana de língua portuguesa.
O que é normal:
chover regularmente, de Outubro ao fim do ano, depois estiar um mês
ou mês e meio, e ter as chuvas grandes, por três meses
mais. O milho cresce, medra a ginguba, a mandioca engorda pela raiz.
Normal também, confirma a carne e a idade ensina, é não
chover assim regularmente, porfiado e doce, em paz e sem martírio.
Vungue Kisate acomete a lavra pela terceira vez na mesma estação.
O ano é de seca.
Cruel o tempo que se anuncia farto para ser ele mesmo a impedir fartura. |