Contos
outra vez reúne, pela primeira vez, contos dispersos que foram
sendo escritos e publicados entre 1984 e 1997. Integram-se ainda nesta
antologia três contos inéditos: “Uma empresa espiritual”,
“Brandina ou O silêncio dos produtos” e “O Caso dos dois Juans”.
Procure
o leitor imaginar um homem. Ele há-de ser todo ao alto,
encovado, o rosto à proporção, ossudo e sombreado
da barba. Como auxiliar, lembre-se da mística Toledo onde cresciam
como espargos essa figuras que o Greco tornou populares e que passaram,
de então para cá, a ser o símbolo mesmo da vida
ascética. Se julgar injusto o requisito de tanto esforço,
vá pelo Quixote, tire-lhe uns anos, desmonte-o do Rocinante,
calce-lhe umas sandálias, o burel de um hábito, faça-lhe
uma atitude um pouco menos tresloucada, traga-o ao presente onde ele
vive
estremunhado – e aí tem o Tomás Bernardino, pode muito
bem ser que da Anunciação. A chamar-se assim, é capaz
de trazer o olhar pisado de tanto meditar para dentro, aflito de si
próprio
e de como servir o mundo, mais que do funcionamento e modo proveitoso
de se servir dele.
Imprensa
“Números mágicos: 21 contos, espalhados por 13 anos de
vida e escrita de Luísa Costa Gomes. (...) 21 histórias
de gente que conquistamos rapidamente para o nosso círculo de
indispensáveis, e locais que queremos absolutamente conhecer.”
M.P.C., "Cosmopolitan"
“Luísa
Costa Gomes é uma das vozes mais singulares da nova literatura
portuguesa. Sigamos a autora no seu projecto desolado e irónico.
(...) Prosa elegante e forte como a do Padre António Vieira,
não? Convém ler, já.”
Torcato Sepúlvea, Semanário
“Mercê de um
refinamento estético de elevada exigência moral (no
sentido steineriano do termo), Contos outra vez aprofunda
as contradições
do carácter humano no final do século face à substituição
de simulacros que transforma o gesto em brecejo, o sorriso em esgar,
a liberdade em automatismo, em suma: a personagem no seu duplo, correndo
o risco de vê-la confrontada com insólitos instantâneos
como o: da existência real das personagens que chegam muitas
vezes a cometer violências sobre os seus criadores.
Vergílio Alberto Vieira, Diário de Notícias
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