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O mais recente livro publicado
pelos Livros Cotovia, Desmedida – Luanda, São Paulo, São
Francisco e volta, vem confirmar uma convicção antiga:
Ruy Duarte de Carvalho é um dos poucos exploradores a viver em
pleno século XXI. Nesta obra, mais do que nunca, o autor veste
essa pele e procura, através de inúmeras viagens, compreender
o Homem e o seu papel nas continuidades e contiguidades entre o Brasil,
Angola e Portugal.
O ponto de partida de Ruy
Duarte foi a certeza de que o Brasil sempre foi, desde o início da expansão europeia,
um terreno privilegiado para exploradores europeus e americanos. Depois,
o autor procurou retratar o modo como absorveu as idiossincrasias de
tão vasto país, numa viagem que começa em Luanda,
tem como destino a grande metrópole de São Paulo e empreende
um longo caminho de descoberta ao longo do rio São Francisco.
Os leitores atentos decerto recordarão as obras Vou
lá visitar
pastores (1999) e As paisagens
propícias (2005) que receberam os mais
variados elogios de gente como o escritor António Mega Ferreira e o
autor brasileiro Bernardo Carvalho . Acentuando as características essenciais
daquelas obras, como o registo de narrativa de viagem e as alusões aos
domínios da sociologia, história, filosofia e literatura, esta
Desmedida que agora lançamos consiste num périplo, ora por paisagens
reais, ora por paisagens imaginárias ou de ficção.
Terminando
novamente em Luanda, o livro alterna descrições narrativas com
amplas digressões por “paisagens” literárias. O autor vagueou
pelos sertões de Guimarães Rosa e de Euclides da Cunha e povoou
esta Desmedida com figuras aventureiras como Blaise Cendrars, novelista e poeta
suíço e Sir Richard Burton, considerado precursor da antropologia
do século XX. Todavia, mais do que simples referências a personalidades
históricas, Ruy Duarte de Carvalho convive e dialoga com elas, contribuindo
para uma aproximação entre autor, personagens e leitores.
Imprensa
«Na minha opinião,
estamos perante um dos maiores escritores de língua portuguesa. É um
escritor extraordinário e desculpem mas eu nestas coisas sou fanático, é absolutamente
extraordinário e as pessoas têm que ler este escritor.
(...)
Este é um desses certos livros, é um livro extraordinário,
luminoso nas aproximações que faz entre Angola e o Brasil,
entre os fenómenos migratórios que houve do Brasil para
Angola. E depois passa por aqui tudo. Passa por aqui o Antônio
Conselheiro, passa por aqui o Lampião, passa por aqui a história
da Rainha Ginga.
E, de facto, em Ruy
Duarte de Carvalho, a atenção
do cineasta está sempre presente. Já estava num livro
anterior dele, extraordinário, chamado As paisagens propícias
e volta a estar neste livro que são crónicas do Brasil.»
António
Mega Ferreira, programa Câmara Clara, de Paula Moura Pinheiro,
canal 2 da RTP, 22 de Dezembro de 2006
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