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[ficção de língua portuguesa]

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A Formosa Pintura do Mundo

 
ISBN:972-795-129-5

Lourenço, Frederico

232 pp.

€14,00


 

A Formosa Pintura do Mundo é uma sequência de ficções interligadas sobre a pintura, a música e o desejo, onde se cruzam figuras históricas (Camões, Voltaire) com personagens da imaginação do autor. Central neste livro é a noção de Arcádia, a paisagem imaginária por excelência. Em pano de fundo, paisagens do mundo real: Sintra, as lonjuras do Alentejo e de Trás-os-Montes; a magia urbana de Lisboa, Porto e Roma. O regresso à ficção de Frederico Lourenço, depois de À beira do Mundo (2003)

 

Engoli em seco. Ele ergueu o copo, como que em jeito de saudação. Esboçou um sorriso. Reciproquei o gesto, confuso. Despir-me à frente dele? Dei por mim a retesar os músculos das pernas. Bebi um gole de vinho. Era branco, muito frio, e evocava seixos, milenarmente polidos, na transparência de um riacho.

Frederico Lourenço, A Formosa Pintura do Mundo

Imprensa

Há livros que nos deixam a pensar. Abrem zonas de interrogação que em geral evitamos. Não é que tratem graves questões da existência (os grandes temas: morte, amor, opressão, corrupção política, e mais o que se achar que é grande) mas o que de miúdo a vida faz, pequenos gestos, ideias do quotidiano, acções dúbias e impensadas, a determinação da memória em cada passo, a nossa cultura a ser convocada ou a falta dela, beiras do sentir e compreender. A Formosa Pintura do Mundo, de Frederico Lourenço, com a sua frase corredia e expressão linear, impressiona pela elegância enxuta, uma forma de contar que não surge preocupada com a elaboração da escrita, antes é ocupada (como se diz da mulher grávida) de sentidos, alusões e um desafectado dizer.

Maria Alzira Seixo, "Visão", 6-12.10.05.

[...] determinante é o modo como a par e passo cada um [dos contos] vai sendo formado ou, noutros casos, o modo como rasgam o tecido da narrativa e como conseguem com as palavras criar horizontes de sentido, de experiências, de coloraturas. existe um tom que se mantém ao longo de todas as páginas e esse é o da confidência, o tom daquelas palavras que se segredam ao ouvido de alguém quando se fala de um outro: ausente, espectral e, por vezes, idealizado.

Nuno Crespo, in Público, 8.10.05


  
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