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História da bela fria

Veiga, Teresa

€12,00

 

Imprensa

“Cumpre dizer que, nos nove contos que compõem o volume, há sempre histórias interessantes e muitas francamente divertidas –histórias da vida provinciana e das histórias que se contam na vida provinciana, histórias de mulheres e de adolescentes, de aprendizagem do amor e da sexualidade, de encontros e separações –, e cumpre acrescentar que Teresa Veiga escreve de uma maneira que recebe sem favor o nome de estilo: com rigor e sobriedade, a sua escrita revela um notável sentido da alusão, da ironia e do humor e, retoricamente falando, um sentido do decoro, da necessidade de o manter e da oportunidade para o perder. Mas seria inadequado alinhar este livro na prateleira dos que defendem que a história é tudo. Bem pelo contrário, o que resulta da leitura é a ideia de que a história que o conto mostra fica por contar e se resguarda como um segredo: não porque estes contos cultivem o mistério, a intriga da descoberta inacabada ou suspensa num jogo de hipóteses igualmente plausíveis, mas porque essa história é, na verdade, inacessível ao conto e ao acto de contar. [...] Assim, o conjunto pode ler-se como um corpo de narrativas da mesma narradora, fragmentos de uma narrativa mais vasta que precisamente se recusa. Ou seja, a opção pelo conto aparece como recusa do romance: porque é o conto que permite a inclusão de uma narrativa em que a narradora não é a mesma Agustina sem prejuízo para a coerência do conjunto, e sobretudo porque é o conto que desvincula a identidade da narradora da coesão de um universo acabado. Pelo contrário: cada conto se divide em histórias que, uma a uma, compõem a imagem do disperso e do inacabado em que a ideia de uma totalidade da experiência se recusa.”


Abel Barros Baptista, “A história no mapa do conto”, Público –Leituras, 3.4.1992.

 

“Uma injustificada sobrevalorização do romance tem feito com que qualquer medíocre romancista acabe por atrair sobre si muito mais atenção do que um bom livro de contos. História da Bela Fria é precisamente isso: um bom livro de contos que confirma, plenamente, os méritos evidentes do seu anterior livro.
Talvez mais do que o romance, o conto pressupõe o domínio de uma técnica que não admite falhas nem fraquezas, implica um doseamento e uma intensidade na utilização das técnicas e dos materiais narrativos absolutamente essenciais para uma conseguida arte de contar.
Teresa Veiga começa por nos surpreender por esta mestria que não pode ser relegada apenas para uma competência técnica, que seria quase irrelevante, se não fosse corroborada por algo mais. E esse algo mais é a existência de uma escrita que sabe produzir os seus efeitos, que não se confunde com outras escritas e se abre a subtilezas e jogos de significação de que apenas a boa literatura é capaz.”


António Guerreiro, Expresso, 22.2.1992.

 

“Semelhanças entre Agustina e Teresa são várias, mas mais profundas as diferenças [...]. Se ambas centram a acção na província, sendo tudo menos provincianas, se ambas dão ideia de mulheres nascidas em grandes casas de numerosa família, dos contactos sociais familiares bebendo a principal matéria-prima, se ambas fazem da mulher a personagem mais avassaladora dos livros, se ambas parecem fonte inesgotável de conversa, as diferenças começam logo no tipo de conversa:
Agustina faz psicologia e sociologia, é sentenciosa, por isso a acção imobiliza-se no tempo.
Já Teresa relata acontecimentos, poupa comentários, as suas histórias são movimentadíssimas, estilo cinema americano.”


Maria Estela Guedes, Diário de Notícias, 12.7.1992.

“São contos de lareira, de sombra de poial de porta aberta à frescura de um chão ógado, contos de criada idosa com colo gordo e fofinho. Contos da Terra Grande do Sul, onde se vê ao longe e tudo dança na reverberação dolorosa ou tudo se afoga na água que o Pai do Céu entende mandar, a mor das vezes a destempo.
Também histórias de aldeia ou vila pequena. e escrita de Mulher, sem pudor nem razão para isso, assumindo, em honrosa e honrada primeira pessoa, amores tidos e falhados, apetites de sexo, desvios até, enfim, coisas velhas, como o mundo, sal da vida.
Alguma pressa no remate, mas sempre pujança e graça. Da Bela Fria é a História, Teresa Veiga é o nome e aqui se deixa escrito, em jeito de aviso à navegação: perde quem não ler.”


José Flecha, Diário de Notícias, 10.6.19

“Sintoma ou não de um novo aproximar a temas mais interiores, ou mais directamente relacionados com o que se designa como temas “universais”, ou seja, mais intemporais, parecem ser algumas das mais interessantes produções surgidas ultimamente, em que se integra a revelação que foi Teresa Veiga.”


José Guardado Moreira, "Ler" nº 79, Verão 1990.

  
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