
Uma mulher suicida-se na
casa-de-banho de sua casa. O marido, uma estrela internacional de música
pop, costumava descrevê-la como “uma bailarina sem escola, sem
auto-consciência”. Impossibilitado de a voltar a ver, o marido
isola-se num exercício de autocomplacência inevitável
a qualquer indivíduo que experimente a morte. Disfarça-se
para que ninguém o reconheça e parte à procura de
memórias infantis. Carlos, jornalista português que vive
no estado de Nova Jérsia, ambiciona escrever um livro sobre histórias
verídicas que não podem ficar esquecidas. Um dia, seguindo
uma pista de um grupo de actores que usa métodos secretistas para
recrutar pessoas, deixa-se fascinar por Violet.
Um músico e um jornalista. Duas pessoas que acabam por se cruzar
graças a uma terceira personagem: um homem que passa os dias a representar
como forma de defesa. E é neste universo masculino, se pensarmos
que aqui as mulheres são seres extintos ou inacessíveis,
que Jacinto Lucas Pires volta a surpreender com a sua escrita, semelhante
a um argumento cinematográfico ou a um texto dramático, onde
delineia inúmeros movimentos de câmara e didascálias,
demonstrando sensibilidade e capacidade para narrar momentos de desespero.
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