
[…]
vi o homem que apodrecia se levantar com uma metralhadora
na mão, sobre a qual estivera sentado, sem que
eu nem ao menos a tivesse percebido, cravejar uma rajada de balas no
automóvel e desaparecer depois de observá-lo se espatifar em chamas contra
um muro. Mais tarde, me explicaram que era um vigilante. Ficam sentados em
pontos estratégicos à espera da passagem dos inimigos, em geral o carro do
chefe de um gangue ou de seus assessores
imediatos. Vivem de informações sigilosas. Só quando sabem que alguém
importante vai passar por tal lugar a tal hora é que saem e esperam.
Em outras ocasiões são cidadãos comuns. Podem estar no mercado fazendo compras ou
na
rua, vestidos de mendigos. Não pertencem a nenhum gangue. São mercenários.
Vivem em função desses serviços. Se falasse dos meus pesadelos e do perigo
que corro, é certo que me aconselhariam a contratar um vigilante para a
minha protecção. Mas não abro a minha boca sobre o que pode me acontecer.
Não antes de contar toda a verdade. Se eu falar antes sobre o perigo,
ninguém vai acreditar. É preciso que conte a história inteira.